Cidades

Operação do MP do Rio mira esquema de 'gatonet' de Suel e Ronnie Lessa

Ex-bombeiro e ex-PM estão presos por suspeita de participação na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes

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Emanuelle Menezes
12/03/2024, 12:27 • Atualizado em 12/03/2024, 12:29
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Operação Jammer II mira gatonet da zona norte do Rio | Divulgação/MPRJ

Operação Jammer II mira gatonet da zona norte do Rio | Divulgação/MPRJ

O Ministério Público do Rio de Janeiro iniciou, na manhã desta terça-feira (12), a segunda fase da operação Jammer, contra um esquema criminoso de exploração do sinal de telecomunicação, televisão e internet, conhecido como "gatonet". A organização criminosa, que atuava na zona norte do Rio, era liderada pelo ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, conhecido como Suel, e pelo ex-PM Ronnie Lessa, presos por suspeita de participação na morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

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Nesta fase, o Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado (GAECO) do MP denunciou à Justiça seis pessoas que faziam parte da milícia de Suel e Lessa. As investigações mostraram que o ex-bombeiro era tratado como "patrão" pelos denunciados, que recolhiam pagamentos e repassavam para ele. Uma conta bancária, com saldo de mais de R$ 234 mil, também foi encontrada.

A denúncia revela ainda conversas sobre cortes no fornecimento do serviço clandestino e outros temas relacionados ao dia a dia do esquema de "gatonet", além de planilhas de clientes.

Três mandados de prisão e sete de busca e apreensão são cumpridos nesta terça em Rocha Miranda, Honório Gurgel e Irajá. A operação conta com o apoio da Divisão de Captura-Polinter, da Polícia Civil, e do 9º Batalhão de Polícia Militar.

Ronnie Lessa e Suel | Reprodução
Ronnie Lessa e Suel | Reprodução

Jammer I

De acordo com as investigações da primeira fase da Operação Jammer, deflagrada em agosto de 2023, o dinheiro arrecadado com o esquema do "gatonet" na zona norte do Rio foi utilizado para o pagamento do advogado de Élcio de Queiroz, um dos presos pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. (Veja no vídeo abaixo).

O advogado de Élcio foi escolhido por Ronnie Lessa, apontado como o assassino da vereadora, e era pago por Suel com o dinheiro da exploração dos sinais de TV e internet. O ex-bombeiro também ficou responsável por prestar ajuda financeira para a família de Élcio, com "o evidente objetivo de evitar que ele rompesse com os comparsas e viesse a se dissociar de Ronnie em sua tese defensiva ou, ainda, voluntariamente auxiliar a Justiça, seja confessando os fatos, seja figurando como réu colaborador", diz a denúncia.

Em 2023, o ex-PM Élcio de Queiroz confessou participação na execução de Marielle Franco em delação premiada. No depoimento, Queiroz afirmou que dirigiu o carro usado no crime e que Ronnie Lessa foi o atirador. Ainda segundo ele, Suel ajudou a planejar o assassinato e seria o dono do carro usado para esconder as armas de Lessa.

Gatonet na zona norte

Suel e Lessa estruturaram o esquema de "gatonet" nos bairros de Rocha Miranda, Colégio, Coelho Neto e Honório Gurgel – todos na zona norte do Rio.

O ex-bombeiro atuava como sócio-administrador, supervisionando o trabalho dos subordinados, controlando os investimentos, assegurando o domínio territorial e calculando os lucros. Já o ex-PM assumiu o posto de sócio-investidor, injetando dinheiro no negócio ilegal em troca de parte dos lucros.

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