Homem que matou empresário com mais de 40 facadas no DF já havia tentado invadir o STF armado com faca
Rapaz acusado de matar chefe no Setor de Oficinas Norte, em Brasília, foi detido depois de tentar entrar no STF para "conversar com um ministro"


Basília Rodrigues
Um homem preso em Brasília, na quarta-feira (6), acusado de matar o chefe com mais de 40 facadas já havia tentado invadir o prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) com uma faca, em setembro do ano passado, mas teve o processo arquivado porque não foi considerado perigoso.
O SBT News teve acesso a registros da polícia e do processo judicial das duas ocorrências.
Na semana passada, Eduardo Jesus Rodrigues, de 24 anos, foi preso em flagrante depois de matar Flavio Cruz Barboza, de 49 anos, no Setor de Oficinas Norte, em Brasília.
Flávio era dono da oficina, onde Eduardo trabalhava há menos de 10 dias, por intermédio do tio, funcionário antigo do local. A defesa da vítima pede na justiça para que o tio também seja preso porque teria auxiliado no crime. O preso diz que cometeu o assassinato por vingança. A Polícia Civil ainda investiga.
Imagens do circuito de segurança da oficina, que o SBT News teve acesso, mostram que a vítima não conseguiu reagir. A vítima estava sentada em uma cadeira, ao lado de um carro. O assassino chega dando chutes e golpes de faca. O dono da oficina foi atingido nas costas, pescoço, testa, orelha e rosto, até cair no chão.
Ao decidir pela prisão preventiva de Eduardo Jesus, o juiz descreve um ato de “violência extrema” e “desproporção na ação ofensiva”.
Em setembro de 2025, em uma noite, o mesmo Eduardo foi contido por seguranças do STF, depois de tentar invadir o prédio na Praça dos Três Poderes. A Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada.
De acordo com a ocorrência policial, Eduardo disse que queria entrar no STF para “falar diretamente com um dos ministros”, por “pendências judiciais” porque acreditava “que o ministro seria responsável direto por comandar o país e poderia ajudá-lo”. Durante revista, os policiais encontraram dentro de uma bolsa térmica do rapaz uma faca, do tipo usada por açougueiro, de 40 centímetros.
Ele declarou ser motoboy e alegou que carregava uma faca porque considerava a profissão de risco. A ocorrência diz que o rapaz “apresentava sinais evidentes de possível transtorno psicológico”. A faca foi apreendida e o rapaz foi solto.
Em março deste ano, o Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) decidiu arquivar o processo e não denunciou Eduardo por considerar que não havia potencial lesivo. “Haveria necessidade da demonstração de um plus que evidenciasse a potencialidade lesiva, com o desvio na utilização do instrumento. Assim, falta justa causa para a adoção de providências criminais”, escreveu o promotor criminal Glauber José da Silva que também observa a informação sobre as questões psicológicas de Eduardo.
Por determinação do 3º Juizado Criminal Especial de Brasília, a faca apreendida seguiu para destruição.
Agora, em maio, Eduardo voltou a usar uma faca para cometer crime, dessa vez, em plena luz do dia. Segundo a polícia, além do porte de arma branca, Eduardo Jesus Rodrigues estava em liberdade provisória por tráfico de drogas.









