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Sindicato convoca paralisação total na USP após retirada de estudantes da reitoria pela PM

Sintusp chamou trabalhadores para ato unificado nesta segunda-feira (11), na praça da República

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Imagens da ação policial de retirada de estudantes da reitoria da USP, no domingo (10) | Reprodução

O Sindicato dos Trabalhadores da Universidade de São Paulo (Sintusp) convocou trabalhadores da instituição pública de ensino a paralisarem totalmente as atividades nesta segunda-feira (11), após a retirada de estudantes que ocupavam a sede da reitoria, no campus do Butantã, na zona oeste de São Paulo. A entidade também chamou a categoria para um ato unificado na praça da República, centro da capital paulista, às 14h.

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A desocupação foi realizada pela Polícia Militar na madrugada deste domingo (10), por volta das 4h15. Os estudantes estavam no prédio desde quinta-feira (7), em meio à greve estudantil que cobra melhorias em políticas de permanência, moradia universitária e restaurantes universitários.

Em nota, o Sintusp afirmou repudiar a ação da PM e declarou solidariedade aos estudantes.

O Diretório Central dos Estudantes da USP (DCE-USP) alega que a operação foi violenta e acusa policiais de usarem escudos, cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Segundo a entidade, houve a formação de um “corredor polonês” e diversos estudantes ficaram feridos.

Ainda de acordo com o DCE, quatro estudantes foram detidos e encaminhados ao 7º Distrito Policial, na região da Lapa e Vila Romana, na zona oeste da capital. Eles foram liberados ainda na manhã deste domingo.

O que diz o governo estadual?

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) informou que a operação contou com cerca de 50 policiais e foi concluída sem registro de feridos. A pasta disse que toda a ação foi registrada por câmeras corporais e que “eventuais denúncias de excesso serão rigorosamente apuradas”.

A SSP também afirmou que, após a desocupação, uma vistoria constatou danos ao patrimônio público, como portão derrubado, portas de vidro quebradas, carteiras danificadas, mesas avariadas e danos à catraca de entrada. Segundo a secretaria, foram apreendidos entorpecentes, armas brancas e objetos contundentes, como facas, canivetes, estiletes, bastões e porretes.

Em nota divulgada após a retirada dos estudantes, a USP lamentou os acontecimentos durante o processo de reintegração de posse do prédio da reitoria. A universidade disse que comunicou a ocupação à Secretaria de Segurança Pública no próprio dia 7 de maio, “com vistas à adoção dos protocolos de proteção e de preservação da ordem”.

A reitoria afirmou, porém, que a desocupação feita pela Polícia Militar ocorreu sem comunicação prévia à universidade. A USP também declarou que manteve “disposição permanente para o diálogo”, mas que as negociações chegaram a um limite diante de itens já atendidos, da criação de grupos de trabalho e de reivindicações que, segundo a instituição, não poderiam ser acolhidas ou estavam fora de sua área de atuação.

O que querem os estudantes?

Entre as principais reivindicações dos estudantes estão medidas de permanência universitária, como o reajuste do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). Segundo integrantes do movimento, a proposta apresentada pela reitoria prevê aumento de R$ 27 para quem recebe o auxílio integral, hoje em R$ 885, e de R$ 5 para quem recebe o auxílio parcial, atualmente em R$ 320.

Os alunos também cobram melhorias no Conjunto Residencial da USP (CRUSP), onde relatam problemas como falta de água, mofo e dificuldades estruturais, além de mudanças nos restaurantes universitários, conhecidos como bandejões. O movimento afirma ainda que a greve busca a reabertura das negociações com a administração central da universidade, após a reitoria declarar encerradas as tratativas.

Já a USP afirma seguir aberta a um novo ciclo de diálogo com o propósito de "consolidar o que já foi encaminhado nas reuniões com a representação estudantil."

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