Economia

Contrabando do Paraguai dá lucro de até 507% ao crime organizado, diz presidente do IDESF

Luciano Barros afirma que diferenças tributárias e regulatórias entre Brasil e Paraguai ajudam a alimentar um mercado ilegal de R$ 60 bilhões por ano

O contrabando de produtos do Paraguai para o Brasil movimenta cerca de R$ 60 bilhões por ano e se tornou uma das atividades mais lucrativas do crime organizado no país, segundo estudo do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras, o IDESF.

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Em entrevista ao News Domingo, do SBT News, o presidente do instituto, Luciano Barros, afirmou que o avanço do mercado clandestino é resultado de um processo de anos.

Segundo Barros, a principal explicação está na diferença de impostos e regras entre os dois países. “As principais âncoras disso, quem sabe, sejam essa assimetria tributária entre os países, que nós não conseguimos acertar via diplomacia, via Mercosul”, disse.

O presidente do IDESF afirmou que a fronteira extensa entre Brasil e Paraguai facilita a circulação dos produtos ilegais. São cerca de 1.600 quilômetros de fronteira, com trechos secos e fluviais, em regiões muito próximas de grandes mercados consumidores brasileiros.

Apreensão de cigarros contrabandeados do Paraguai | Arquivo/Receita Federal/05.2019
Apreensão de cigarros contrabandeados do Paraguai | Arquivo/Receita Federal/05.2019

De acordo com o estudo, as margens de lucro das organizações criminosas podem passar de 500%, especialmente no caso do cigarro. “Quem não gostaria de ter 507% de lucro na venda dos seus produtos?”

O cigarro continua no topo da lista de produtos contrabandeados, impulsionado pela diferença de tributação. Segundo o entrevistado, enquanto o imposto sobre o cigarro no Paraguai é de 16%, no Brasil chega a quase 90%.

Barros também afirmou que o crime organizado passou a usar rotas já consolidadas pelo contrabando para ampliar sua atuação. “O contrabando emprestou para o crime organizado uma logística extremamente eficiente”, disse, acrescentando que, em troca, o crime levou “toda a violência” das facções para esse mercado.

Para o presidente do IDESF, o impacto vai além da segurança pública e atinge diretamente a economia formal. Ele citou perdas de arrecadação, prejuízo a empresas legalizadas e efeitos sobre setores como tabaco, bebidas, celulares, eletroeletrônicos, informática e agroquímicos.

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