Família contesta conclusão de inquérito que isenta PMs por morte de jovem em surto no RS
Herick Vargas foi morto em casa durante surto psicótico; familiares dizem que souberam da conclusão pela imprensa e pedem acesso ao inquérito
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Aline Schneider
07/11/2025, 23:19 • Atualizado em 08/11/2025, 02:36
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No Rio Grande do Sul, a Corregedoria da Polícia Militar concluiu que dois policiais militares agiram em legítima defesa ao matar Herick Vargas, de 29 anos, durante um surto psicótico. A decisão é contestada pela família, que afirma não ter sido notificada oficialmente sobre o resultado do inquérito.
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Segundo os pais de Herick, a informação chegou primeiro pela imprensa, o que gerou ainda mais revolta no período de luto.
“Não nos notificaram, não nos avisaram, a família e nem os advogados. A gente ficou sabendo através da mídia. Isso é muito revoltante. A gente já está sofrendo. A gente sofreu várias coisas. Assassinaram o meu filho aqui dentro”, afirma Evolmara Vargas, mãe do jovem.
Em nota, a Brigada Militar informou que a conclusão do inquérito foi baseada em um conjunto de provas, como imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais, laudos periciais e depoimentos de pessoas envolvidas no caso.
A instituição afirmou ainda que seguiu os protocolos estabelecidos, com tentativa de diálogo e uso de arma de choque, e que os disparos ocorreram após agressões e risco à vida dos agentes. Ainda assim, a família questiona a versão oficial e, segundo o advogado, não teve acesso ao conteúdo do inquérito.
“Mais de mil processos e nunca tivemos problema de acesso a um inquérito policial ou militar. É a primeira vez que isso acontece. Está soando de forma estranha”, disse Nemias Rocha Sanches, advogado da família.
O atestado de óbito aponta morte violenta. Para a defesa, a quantidade de disparos é um ponto que precisa ser esclarecido.
“O jovem estava desarmado. E aí que vem a questão, muitos disparos. Nós queremos saber se a cada disparo a Polícia Militar, o policial avaliou se existia a necessidade do próximo disparo. Porque o disparo de arma de fogo de uma pistola semiautomática depende de uma ação humana. Ou seja, ele como policial treinado tem que saber se deve atirar, avaliar se é necessário o segundo disparo. Uma defesa necessita de moderação. É isso que nós queremos saber.”
Herick Vargas foi morto no dia 15 de setembro, dentro da própria casa, após a mãe acionar a polícia por causa de um surto.
“Foi muito triste. Meu filho tinha 29 anos, um potencial imenso. Teve o fato isolado da crise nesse dia. Ele já estava em sofrimento psiquiátrico. A gente pediu ajuda para manejar, levar ele para atendimento. E trouxeram mais dor, mais sofrimento e o fim da vida dele. E junto, parte da minha também, né? E o que eu tenho que fazer agora é buscar justiça”, desabafou Evolmara.
Herick, que era motorista de aplicativo e estava em tratamento para esquizofrenia, teria entrado em luta corporal com os policiais. Eles usaram arma de choque, mas, segundo o inquérito, sem sucesso. Em seguida, efetuaram os disparos. O Samu foi acionado, mas Herick morreu no local. Segundo o pai, ele vinha apresentando melhora e estava sendo acompanhado por uma equipe multidisciplinar.
Família contesta conclusão de inquérito que isenta PMs por morte de jovem em surto no RSHerick Vargas foi morto em casa durante surto psicótico; familiares dizem que souberam da conclusão pela imprensa e pedem acesso ao inquéritoCidades2025-11-07T23:19:21.038ZNo Rio Grande do Sul, a Corregedoria da Polícia Militar concluiu que dois policiais militares agiram em legítima defesa ao matar Herick Vargas, de 29 anos, durante um surto psicótico. A decisão é contestada pela família, que afirma não ter sido notificada oficialmente sobre o resultado do inquérito. Segundo os pais de Herick, a informação chegou primeiro pela imprensa, o que gerou ainda mais revolta no período de luto. “Não nos notificaram, não nos avisaram, a família e nem os advogados. A gente ficou sabendo através da mídia. Isso é muito revoltante. A gente já está sofrendo. A gente sofreu várias coisas. Assassinaram o meu filho aqui dentro”, afirma Evolmara Vargas, mãe do jovem. Em nota, a Brigada Militar informou que a conclusão do inquérito foi baseada em um conjunto de provas, como imagens das câmeras corporais usadas pelos policiais, laudos periciais e depoimentos de pessoas envolvidas no caso. A instituição afirmou ainda que seguiu os protocolos estabelecidos, com tentativa de diálogo e uso de arma de choque, e que os disparos ocorreram após agressões e risco à vida dos agentes. Ainda assim, a família questiona a versão oficial e, segundo o advogado, não teve acesso ao conteúdo do inquérito. “Mais de mil processos e nunca tivemos problema de acesso a um inquérito policial ou militar. É a primeira vez que isso acontece. Está soando de forma estranha”, disse Nemias Rocha Sanches, advogado da família. O atestado de óbito aponta morte violenta. Para a defesa, a quantidade de disparos é um ponto que precisa ser esclarecido. “O jovem estava desarmado. E aí que vem a questão, muitos disparos. Nós queremos saber se a cada disparo a Polícia Militar, o policial avaliou se existia a necessidade do próximo disparo. Porque o disparo de arma de fogo de uma pistola semiautomática depende de uma ação humana. Ou seja, ele como policial treinado tem que saber se deve atirar, avaliar se é necessário o segundo disparo. Uma defesa necessita de moderação. É isso que nós queremos saber.” Herick Vargas foi morto no dia 15 de setembro, dentro da própria casa, após a mãe acionar a polícia por causa de um surto. “Foi muito triste. Meu filho tinha 29 anos, um potencial imenso. Teve o fato isolado da crise nesse dia. Ele já estava em sofrimento psiquiátrico. A gente pediu ajuda para manejar, levar ele para atendimento. E trouxeram mais dor, mais sofrimento e o fim da vida dele. E junto, parte da minha também, né? E o que eu tenho que fazer agora é buscar justiça”, desabafou Evolmara. Herick, que era motorista de aplicativo e estava em tratamento para esquizofrenia, teria entrado em luta corporal com os policiais. Eles usaram arma de choque, mas, segundo o inquérito, sem sucesso. Em seguida, efetuaram os disparos. O Samu foi acionado, mas Herick morreu no local. Segundo o pai, ele vinha apresentando melhora e estava sendo acompanhado por uma equipe multidisciplinar.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/familia-contesta-conclusao-de-inquerito-que-isenta-p-ms-por-morte-de-jovem-em-surto-no-rs
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