Exclusivo: filha de comandante da GCM de São Paulo acusa pai de agredir mãe e madrasta
Prefeito de São Paulo afasta comandante após entrevista da filha ao SBT

Fabíola Corrêa
Kaê Carneiro
Eliazer Rodella, comandante-geral Guarda Civil Metropolitana (GCM) de São Paulo, foi afastado do cargo após ser denunciado por agredir duas mulheres. Ele foi chefe de vários setores da GCM paulista até ser nomeado em janeiro ao cargo máximo da corporação.
A trajetória bem-sucedida, no entanto, foi abalada com as denúncias. Em entrevista ao SBT, a filha do comandante afirmou ter presenciado as agressões.
"Eu estava no outro cômodo, passando roupa, comecei a ouvir uma gritaria, uma bateção, quando cheguei no quarto estava acontecendo a violência. Minha reação foi pegar a minha irmã, porque eu não sabia o que podia acontecer", conta Gabrielle Moranggo, que tinha apenas 12 anos.
As agressões descritas aconteceram com a madrasta dela, Samara Rocha, que estava grávida de oito meses, na época.
"Eu lembro de um episódio, acho que foi depois dessa agressão, que eu virei e falei: 'vamos, se você se separar do meu pai, eu te ajudo com a Maria Eduarda, vou morar com você'. Eu tinha 12 anos", conta a filha do comandante.
Esta não foi a primeira vez que Gabrielle presenciou a violência do pai contra uma mulher. Ela tinha só três anos, mas ainda se lembra dos momentos de terror vividos quando a mãe, Iranair Gomes da Silva, era a vítima do agressor.
"Eu lembro que estava escuro, minha mãe pedindo pra ele parar e de fundo barulhos como chineladas", relembra.
Sessão de tortura
A segunda esposa de Eliazer Rodella, Samara Rocha, também falou para a reportagem do SBT sobre as agressões vividas ao lado do comandante da GCM, em frente à enteada.
"Minha enteada assistiu, socorreu minha filha. Ele batia minha cabeça na porta, me dava soco no braço e me jogou com muita força na cama. A vizinha chamou a policia, mas eu não saí porque tinha muito medo dele", relembra a vítima, contando que os casos se repetiam.
Não eram "apenas" chineladas. Era uma verdadeira sessão de tortura, conta a ex-mulher do comandante .
"Ele aumentou o som pros vizinhos não ouvirem e começou a me agredir com pedaço de pau. O que ele tinha em volta ele pegava e me agredia. Aí ele pegou o cinto e vinha com tudo, com o ferro nas minhas costas. Quando ele via que não tinha mais pau pra bater, ele pegou o que ficou e começou a pregar pregos na ponta pra me agredir. Quando eu ia cochilar, no chão, porque ele não deixava eu ir pra cama, ele jogava água em cima de mim. Muita água, estava muito frio", completa.
A primeira esposa de Eliazer, Iranair, ficou 11 anos cadada com o agressor. A relação terminou décadas atrás, da pior forma possível. Ela conta que chegou a passar fome.
"Uma vez tinha apenas um chuchu, não tinha o que comer. Minha filha estava com fome. eu cozinhei, pus sal e dei pra ela. Não tinha nada dentro de casa. Comecei a vender os móveis, vendi geladeira, fogão, mesa, sofá, só sobrou o colchão no quarto", relembra chorando.
A ex-mulher não vê o comandante há muito tempo. A filha raramente o encontra.
"Hoje eu mantenho a distância que eu quero, quando precisei financeiramente ele sempre me ajudou. Como pai provedor, não tenho o que falar, mas no emocional ele peca um pouco", diz Gabrielle.
Informado pelo SBT sobre a denúncia, o prefeito Ricardo Nunes decidiu afastar o comandante da GCM temporariamente, até a apuração das denúncias.