Cidades

Condenada por homofobia após caso em padaria de SP é presa em aeroporto por descumprir cautelares

Jaqueline Santos Ludovico teve a prisão preventiva decretada ao voltar da Espanha; ela responde à outro processo, por atropelamento, e não podia deixar o país

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Sofia Pilagallo, Agência SBT
06/02/2026, 02:10 • Atualizado em 06/02/2026, 02:10
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Mulher identificada como Jaqueline Ludovico é filmada proferindo agressões verbais contra casal de homens na padaria Iracema, no centro de São Paulo | Foto: Reprodução

Mulher identificada como Jaqueline Ludovico é filmada proferindo agressões verbais contra casal de homens na padaria Iracema, no centro de São Paulo | Foto: Reprodução

Uma mulher que ficou conhecida por agredir um casal de homens em uma padaria no centro de São Paulo foi presa na quarta-feira (4) ao desembarcar no aeroporto internacional de Viracopos, em Campinas (SP), vinda da Espanha. O caso ocorreu há dois anos, em 3 de fevereiro de 2024, na padaria Iracema, no bairro Santa Cecília.

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Este não é, no entanto, o crime que motivou a prisão de Jaqueline Santos Ludovico, de 35 anos. Ré em um caso de atropelamento seguido de fuga, ela foi presa por descumprir medidas cautelares e por viajar a Espanha sem autorização. A mulher foi abordada sem resistência, com advogado presente, e nada ilícito foi encontrado na revista pessoal.

Segundo a determinação judicial, Jaqueline deveria se apresentar mensalmente ao fórum criminal e não poderia se ausentar do estado de São Paulo por mais de oito dias sem autorização judicial, determinações que não foram respeitadas. A Justiça então decretou a prisão preventiva da mulher em janeiro deste ano.

O atropelamento ocorreu em 14 de junho de 2024. Na madrugada daquele dia, Jaqueline atropelou um homem que atravessava em uma faixa de pedestre no bairro Barra Funda, também no centro de São Paulo. Câmeras registraram o momento em que a mulher atropelou a vítima, que chegou a sinalizar que estava atravessando na faixa. Após o ocorrido, ela fugiu sem prestar socorro.

Pouco tempo depois, Jaqueline foi localizada pela polícia no mesmo lugar onde ocorreu o atropelamento e foi presa em flagrante por lesão corporal, fuga do local do acidente e embriaguez ao volante. A vítima foi levada para o ao Hospital São Camilo de Santana, onde ficou em observação.

A Agência SBT tenta contato com a defesa de Jaqueline. Havendo manifestação, este texto será atualizado.

Ofensas e agressões em padaria

A confusão ocorrida na padaria teve início no estacionamento do estabelecimento, quando um casal de homens tentava estacionar o carro em uma vaga. Segundo o boletim de ocorrência, Jaqueline estava em pé no canto da vaga e se recusou a sair para que o veículo avançasse. Então, deu um tapa no retrovisor e atirou um cone contra o automóvel.

Após Jaqueline xingar o casal com adjetivos homofóbicos, os dois homens entraram na padaria, mas as ofensas continuaram. Um deles então começou a filmar a mulher proferindo as agressões verbais. A Polícia Militar foi acionada e o caso foi encaminhado a Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais contra a Diversidade Sexual e de Gênero e outros Delitos de Intolerância (Decradi).

Em abril de 2025, Jaqueline foi condenada a dois anos e quatro meses de prisão, inicialmente em regime aberto, por injúria em razão da sexualidade (homofobia). A juíza Ana Helena Rodrigues Mellim, da 31ª vara Criminal, absolveu a mulher das acusações de lesão corporal, vias de fato e ameaça, por falta de provas conclusivas.

Apesar da condenação à prisão, a pena de Jaqueline foi substituída por prestação de serviços comunitários pelo período da condenação e pelo pagamento de indenização por danos morais. Ela foi condenada a pagar o valor de cinco salários-mínimos para cada uma das vítimas, além de outras custas processuais, totalizando cerca de R$ 21,9 mil.

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