Como evitar que menores sejam vítimas de abusadores?
Caso de menina estuprada na volta da escola no DF reacende debate sobre segurança de crianças e adolescentes; Brasil tem 150 estupros por dia nesta faixa etária
Flavia Travassos
Natalia Vieira
O sequestro e estupro de uma menina de 13 anos no entorno do Distrito Federal acendeu um alerta sobre a segurança de crianças e adolescentes no Brasil. O crime, cometido por um homem de 43 anos, que já cumpria prisão domiciliar por violência sexual contra menor, expõe uma realidade alarmante: segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em média 150 crianças e adolescentes são estuprados por dia no país, o equivalente a uma vítima a cada 10 minutos.
O caso exemplifica uma tática comum usada por criminosos: o agressor fingiu ser um influenciador digital e convidou a vítima para participar de gravações de vídeo para uma rede social.
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Especialistas alertam que jovens são frequentemente atraídos com promessas de fama e dinheiro, podendo se tornar vítimas de exploração sexual e até tráfico de pessoas.
Pais relatam que passaram a acompanhar os filhos até a escola e reforçam diariamente orientações de segurança, como não conversar com estranhos ou aceitar caronas. Algumas cidades, como São Bernardo do Campo na Grande São Paulo, implementaram medidas como a presença obrigatória de guardas municipais nos horários de entrada e saída das escolas.
O Disque 100 do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou mais de 6 mil denúncias de estupro de vulneráveis no primeiro trimestre de 2023, um aumento de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior. Contudo, a realidade pode ser ainda pior, já que estima-se que apenas 10% dos casos sejam denunciados.
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O subregistro se deve, em grande parte, ao medo de represálias e ao constrangimento das vítimas. Muitas vezes, o agressor é alguém próximo à família, o que dificulta ainda mais a denúncia. Essa situação ressalta a importância de políticas públicas efetivas e de uma rede de apoio para incentivar as denúncias e proteger as vítimas.
Enquanto autoridades e sociedade civil debatem medidas mais eficazes para combater esse tipo de crime, pais e responsáveis seguem alertando seus filhos sobre os perigos e reforçando cuidados básicos. A mensagem é clara: quando se trata da segurança de crianças e adolescentes, o cuidado nunca é demais.