Caso PM Gisele: CNJ investiga desembargador amigo de tenente-coronel que esteve na cena do crime
Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan teria ido ao apartamento de Geraldo Leite Rosa Neto logo após a morte da soldado Gisele Alves Santana

Sofia Pilagallo
Agência SBT
A Corregedoria Nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) abriu uma investigação para apurar a conduta de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), amigo do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso e investigado por feminicídio e fraude processual. O requerimento foi aberto na última quinta-feira (19), junto ao TJSP.
Segundo o CNJ, Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan compareceu ao apartamento onde a soldado Gisele Alves Santana foi encontrada morta, em 18 de fevereiro, no Brás, região central de São Paulo. Na ocasião, Neto telefonou para o magistrado e solicitou sua presença na residência. Não ficou claro o que ele foi fazer no local ou por quanto tempo permaneceu lá.
No início das investigações do caso, o TJSP afirmou que Cogan foi chamado ao apartamento como amigo de Neto e que demais esclarecimentos seriam prestados à polícia judiciária. Questionado novamente nesta quarta-feira (25), o orgão se limitou a dizer que não se posiciona sobre questões que tramitam ou que possam vir a tramitar em outros órgãos, no caso o CNJ.
Neto está preso desde 18 de março. Ele foi detido em seu apartamento, em São José dos Campos (SP), e saiu escoltado do local por agentes da Polícia Civil e da Corregedoria. De lá, foi conduzido à sede da corregedoria, no centro de São Paulo e, posteriormente, transferido para o Presídio Militar Romão Gomes.
A prisão foi decretada após a investigação concluir que Gisele não cometeu suicídio — versão apresentada inicialmente por Neto. Em vez disso, o tenente-coronel teria matado a esposa com uma disparo de arma de fogo. Segundo a decisão, ao qual o SBT News teve acesso, o réu teria surpreendido a vítima por trás e atirado na cabeça dela, especificamente na região das têmporas.
Na última sexta-feira (20). defesa de Neto fez uma reclamação formal no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), alegando que a Justiça Militar não tinha competência para pedir a prisão de seu cliente e pedindo sua soltura. No mesmo dia, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o pedido e manteve a prisão do tenente-coronel.









