Áudio revela momentos finais de jovem morto em ação policial durante surto psiquiátrico em Porto Alegre
Gravações mostram pedidos de socorro ao Samu e o instante em que Hérick Vargas, que tinha esquizofrenia, foi baleado por policiais militares
SBT Brasil
O SBT Brasil teve acesso a áudios que mostram os últimos momentos de Hérick Vargas, jovem de 27 anos morto em ação policial durante surto psiquiátrico, em Porto Alegre. As gravações registram pedidos desesperados de ajuda da família ao Samu e o som dos tiros que tiraram a vida do jovem, que tinha esquizofrenia.
Nas gravações, familiares de Hérick pedem socorro ao Samu, mas são informados de que a equipe só poderia ir ao local com a presença da polícia. A Brigada Militar foi acionada pela própria família.
Em um dos áudios, a tia de Hérick avisa à central do Samu que os policiais já estavam na residência. Pouco depois, é possível ouvir os disparos. A ligação é encerrada logo em seguida.
Segundo os relatos, o Samu alegou que não havia ambulância disponível no momento em que a polícia chegou. A família afirma que a espera durou entre 40 minutos e uma hora. Quando a equipe de saúde finalmente chegou, Eric já estava morto.
O caso aconteceu há quatro meses. Desde então, o Samu de Porto Alegre iniciou uma revisão dos protocolos de atendimento em saúde mental.
A prefeitura anunciou que, em até seis meses, Porto Alegre contará com equipes especializadas formadas por psicólogos, assistentes sociais e psiquiatras para atender surtos psicóticos. Em situações consideradas de maior risco, essas equipes terão apoio da Guarda Municipal ou da Brigada Militar, com acionamento conjunto.
O secretário municipal de Saúde admitiu que houve erro no atendimento que terminou na morte de Hérick Vargas. Atualmente, o Samu de Porto Alegre atende, em média, mais de 500 chamados por mês relacionados a surtos psicóticos.
Familiares de Hérick seguem pedindo justiça e querem que os policiais envolvidos sejam denunciados pelo Ministério Público. Para eles, a falha no atendimento foi determinante para o desfecho trágico.
"Foram vários chamados. Disseram que só viriam quando a Brigada estivesse no local. Quando a Brigada chegou, avisamos, mas disseram que não havia ambulância. Quando o Samu chegou, meu filho já não tinha mais vida", contou a mãe de Hérick, Evolmara Vargas.








