Polícia

Associação de delegados da PF critica Lula por declaração de que há delegados cedidos que “fingem trabalhar”

Em nota, ADPF afirma que combate ao crime organizado exige menos propaganda e mais ações estruturantes e cobra de Lula cumprimento de promessas

Imagem da noticia Associação de delegados da PF critica Lula por declaração de que há delegados cedidos que “fingem trabalhar”
Superintendência da PF em Brasília | Valter Campanato/Agência Brasil
• Atualizado em

A afirmação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que há delegados cedidos pela Polícia Federal que “fingem que estão trabalhando” deixou a categoria indignada, nesta quinta-feira (23).

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Em nota, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) manifestou preocupação e disse que as declarações de Lula colocam em dúvida o comprometimento dos delegados. Atualmente há 53 delegados da PF cedidos para outros cargos públicos, como Ministério da Justiça, tribunais, órgãos legislativos e secretarias de governo.

Lula afirmou que determinou o retorno deles à PF para combater o crime organizado. Para a entidade que representa os delegados, o presidente “simplifica indevidamente o tema segurança pública e o combate ao crime organizado”.

A entidade rebateu Lula ainda afirmando "que o enfrentamento ao crime organizado exige menos propaganda e mais ações concretas, investimentos contínuos nos profissionais e inteligência estratégica. Declarações que desqualificam policiais não contribuem para esseobjetivo e fragilizam o debate público sobre segurança”.

A associação cobrou que o governo receba os representantes da categoria e ressaltou que os delegados exercem funções estratégicas e de alta relevância para o Estado brasileiro. “São profissionais que seguem contribuindo ativamente para o fortalecimento das políticas públicas, não havendo qualquer fundamento para questionamentos generalizados sobre sua dedicação ou desempenho”, disse.

O número de cedidos representa menos de 3% do total de delegados de Polícia Federal em exercício. “Portanto, não se deve induzir a sociedade a acreditar que a anunciada medida de retorno será o que irá vencer o crime organizado. A ADPF destaca que, neste momento, o foco do debate deveria estar em temas estruturantes e urgentes para o enfrentamento ao crime organizado”, critica a entidade.

No posicionamento, a ADPF aproveita para cobrar o governo pelo cumprimento de promessas, como a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC) e mais condições para o aumento da capacidade técnica da Polícia Federal.

Dados da corporação mostram que enquanto 104 novos delegados ingressaram na instituição nos últimos três anos, 50 optaram por deixá-la para assumir outros cargos. Também houve redução no interesse pelos concursos públicos, com queda de 321 mil inscritos em 2021 para 218 mil em 2025.

“Não basta ampliar o efetivo. É indispensável implementar políticas consistentes de valorização, retenção de talentos e financiamento adequado da instituição”, afirma a ADPF.

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