Assaltos a ônibus no Rio aumentam quase 40% em um ano
Passageiros relatam medo constante e violência crescente no transporte público da capital fluminense
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Bruna Carvalho
Maria Paula Güttler
Majô Gondim
A cada uma hora e meia, um ônibus é assaltado no Rio de Janeiro. O número de roubos a coletivos cresceu quase 40% em um ano na capital fluminense, segundo o Instituto de Segurança Pública do estado. O medo se tornou parte da rotina dos passageiros.
A caminho do trabalho, um homem que prefere não se identificar passou por momentos de terror dentro de um ônibus. "Eles ameaçavam a gente de morte e agressão o tempo todo. Às vezes, ninguém falava nada e já vinham batendo", relatou a vítima. O crime aconteceu em um ônibus que seguia para o Centro do Rio. Três homens armados renderam os passageiros e, por 30 minutos, praticaram violência física e psicológica. No total, 40 pessoas foram roubadas.
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Em 2023, foram registrados 6.275 assaltos a ônibus em todo o estado, uma média de um a cada uma hora e meia. Na capital, a situação é ainda mais preocupante: em 2023, foram 3.207 assaltos. No ano passado, esse número saltou para 4.473, um aumento de 39,4%.
A Polícia Militar afirma que intensificou o combate ao crime e criou um batalhão de patrulhamento com motos. No entanto, especialistas em segurança pública apontam a falta de integração entre as forças policiais como um obstáculo para ações mais efetivas. "No mundo inteiro há compartilhamento de informações entre as polícias. No Rio de Janeiro, isso ainda é muito difícil", afirma Lênin Pires, professor de Segurança Pública da Universidade Federal Fluminense (UFF).
A insegurança levou passageiros a tomarem atitudes extremas. No último fim de semana, um homem usou uma arma de choque para evitar um arrastão na zona Sul da cidade. Durante a confusão, suspeitos menores de idade pularam pela janela e foram agredidos.
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Para quem já foi vítima da violência, o trauma permanece. "São flashes que atormentam o tempo todo. Parece que estou vivendo tudo de novo. Antes eu conseguia dormir no ônibus, agora não consigo mais relaxar", desabafa um passageiro.