Sarrubbo afirma que polarização, falta de recursos e erros na comunicação atrapalham governo
Em entrevista ao SBT News, ex-secretário nacional de Segurança Pública afirma que não há presidente ou governadores de esquerda que não queiram polícia forte




Basília Rodrigues
Ranier Bragon
Anita Prado
Depois de 1 ano e 11 meses na Secretaria Nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo concluiu que polarização política, falhas na comunicação e dificuldades orçamentárias prejudicam medidas do governo Lula nesta área.
“A ideologia política e a polarização têm prejudicado muito o debate de segurança pública. Fica muitas vezes a ideia de que o governo federal não está fazendo nada, está inerte, quando são inúmeros programas que estão acontecendo. E há ainda talvez entendimento da população de que o roubo de rua, que é o que mais interessa, vamos ser francos, porque população não quer ser roubada ao sair para o trabalho, ao chegar do trabalho, como se isso fosse culpa exclusiva do governo federal. Quando, na verdade, esse é o policiamento ostensivo, é responsabilidade do governo dos estados”, disse.
Sarrubbo deixou a pasta nesta sexta-feira (30), após o fim da gestão do ministro Ricardo Lewandowski. Ele foi substituído por Chico Lucas, até então secretário de Segurança Pública do Piauí.
Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, Sarrubbo defendeu que a esquerda política também sabe lidar com segurança pública e criticou experiências de países e estados associados à direita.
“É evidente que o grande debate que se coloca é: ‘segurança pública precisa de força’. É claro que a esquerda sabe que precisa de força. Não há nenhum governador ou presidente da República de esquerda que não queira polícia forte. Agora, o que significa força? Matar cada vez mais? Essa não é a visão da esquerda. E isso não me parece um equívoco. Até mesmo porque se matar resolvesse o problema, alguém poderia defender com alguma substância. Mas não é o caso. Não podemos dar ao policial militar, civil ou a qualquer profissional de segurança pública o direito de quem vai viver e quem vai morrer. Então, essa é uma visão da esquerda que eu sou evidentemente favorável. Aliás, eu sou um homem de esquerda”, ressaltou. “O que tem que ser aplaudido é a prisão do criminoso para que ele cumpra pena”, disse.
Ao ser perguntado sobre a popularização de medidas mais duras contra a violência, em países e estados governados pela direita, como El Salvador, presidido por Nayib Bukele, o ex-secretário fez críticas.
“Em El Salvador, estão presos mais de 20% da população. É isso que queremos fazer no nosso país? Precisamos elevar o debate da segurança pública. Não podemos matar inocente em nome da segurança pública. Não podemos matar ninguém em nome da segurança pública. Nós vamos sair prendendo indiscriminadamente só porque tem uma tatuagem aqui, outra acolá?“, disse.
Sobre a operação Escudo, do governo Cláudio Castro no Rio de Janeiro, Sarrubbo disse que, como cidadão, se surpreendeu.
“As pessoas estão cansadas e qualquer tipo de solução satisfaz mesmo sem resolver o problema porque a questão é a seguinte: um dia depois da operação, a situação naquele território continuava a mesma. Por isso, eu pergunto: qual o ganho para segurança pública? Aquele território foi dominado? Não. Continua exatamente o mesmo. O que queremos? Resolver o problema ou fazer operações espetaculares para satisfazer a vingança pessoal? Precisamos esquecer a vingança e pensar em soluções”, criticou.
“Hoje todo mundo entende de segurança pública. Virou como futebol. Todo mundo tem uma solução. Precisamos tomar cuidado, as questões de segurança pública no Brasil só serão resolvidas a médio prazo. E se nós olharmos para as evidências científicas, os estudos, os modelos que foram adotados e que tiveram sucesso para serem adaptados no Brasil, e a partir daí construir mais seguro ou, pelo menos, com uma sensação melhor para população”, disse.
Sarrubbo observou que houve queda dos índices de criminalidade no Brasil de quase todos os tipos penais, a exemplo de roubos e homicídios. Ao mesmo tempo, aumentaram os números de feminicídios e de pessoas desaparecidas.









