"Estou sem acreditar", diz dono de pizzaria após cliente morrer por intoxicação alimentar
Marcos Antônio lamentou o ocorrido e afirmou que está cooperando com as autoridades; outros 113 casos suspeitos foram registrados


Camila Stucaluc
O dono da pizzaria La Favoritta, localizada na Paraíba, se pronunciou na terça-feira (17) sobre a morte de Rayssa Maritein Bezerra e Silva, de 44 anos, por intoxicação alimentar. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Marcos Antônio disse estar “sem acreditar” e lamentou o ocorrido.
“Eu estou sem acreditar. Não sei o que aconteceu. Eu entrei em contato com o pessoal da Vigilância Sanitária, convidei até o estabelecimento para poderem fazer a fiscalização e me dar uma resposta do que veio a ocorrer. Todos nós queremos resposta: eu como proprietário, pessoas que foram afetadas e seus familiares. Estou fazendo o possível, estou colaborando”, disse.
Rayssa está entre os 114 clientes que relataram sintomas de intoxicação alimentar após consumir uma pizza do estabelecimento. Segundo familiares, ela esteve na pizzaria na noite do domingo (15), acompanhada do namorado. Ao voltarem para casa, os dois passaram mal e buscaram atendimento médico. Eles foram liberados, mas, no dia seguinte, Rayssa retornou ao hospital.
Rayssa deu entrada no Hospital Regional de Pombal com sintomas como diarreia, vômitos e dores abdominais. Ela foi atendida pela equipe médica e, posteriormente, internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em estado gravíssimo, com sinais compatíveis com uma infecção severa. A morte foi confirmada um dia depois.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que outros pacientes atendidos na unidade apresentaram sintomas como náuseas, vômitos, diarreia, dores abdominais e mal-estar. Na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pombal, 40 pessoas foram atendidas com sintomas semelhantes. Todos relataram ter consumido alimentos no mesmo estabelecimento.
“Meu comércio é minha vida. Jamais iria me sabotar, me prejudicar. Tudo que eu conquistei foram em seis anos de muita luta, de muita renúncia e dificuldade. Minha última intenção seria prejudicar os meus clientes”, disse Marcos Antônio. “Venho aqui dar minhas condolências à Rayssa e a toda a sua família, assim como a todas as pessoas que estão apresentando esses sintomas”, acrescentou.
A advogada Raquel Dantas, que acompanha o empresário no vídeo, ressaltou que a interdição ocorrida na segunda-feira (16) foi por razões sanitárias da estrutura, que necessita de alguns reparos, e não por questões relacionadas aos alimentos e produtos. “Durante a inspeção, não foi encontrado nenhum produto ou material de manuseio para a fabricação das pizzas fora da validade, nada estragado, nada que indicasse a contaminação dessas pizzas”, disse.
O caso é investigado pela Polícia Civil, que abriu um inquérito para apurar a morte de Rayssa e também os casos suspeitos de intoxicação alimentar. A Agência Estadual de Vigilância Sanitária (Agevisa) também acompanha as investigações, bem como monitora a situação. A orientação é para que pessoas com sintomas de náuseas, vômitos ou dores abdominais procurem atendimento médico.









