Política

Presidente do INSS critica reação de Leila Pereira, da Crefisa, e mantém instituição suspensa

Em agosto, INSS suspendeu contrato com instituição. Gestão fala em medidas para evitar superendividamento de aposentados e pensionistas

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Basília Rodrigues , Victoria Abel, Hariane Bittencourt
19/01/2026, 01:52 • Atualizado em 19/01/2026, 01:52
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O presidente do INSS, Gilberto Waller, revelou ao SBT News que teve um embate com a presidente do Palmeiras e da Crefisa, Leila Pereira, sobre oferta de crédito consignado para aposentados e pensionistas no país.

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Além da ação de entidades associativas, foram identificadas operações irregulares pelo INSS também de bancos e instituições financeiras.

“A maioria não tem patrimônio, ganha um salário mínimo e era enganado pelo banco. E isso a gente vem conversando com todas as instituições financeiras. Teve uma presidente de instituição financeira que falou para mim ‘olha eu não sou casa de caridade, vendo o melhor crédito’. E a resposta foi: ‘então a senhora não serve para estar nessa mesa’. A instituição dela seguirá suspensa até mudar o procedimento”, disse Waller, citando a Crefisa, em entrevista exclusiva ao programa Sala de Imprensa.

Em agosto, o INSS suspendeu contrato com a Crefisa, vencedora de 25 dos 26 lotes do leilão para pagamento de novos benefícios.

De acordo com Waller, a instituição financeira apresentou recentemente uma proposta de retomada do serviço. Mas, segundo ele, a suspensão por ora está mantida.

“A Crefisa ganhou grande parte do leilão e tinha como prática invés de vender consignado com uma taxa de juros menor, fazia empréstimo pessoal. Ao invés de ofertar taxa de juros de 1.88%, ofertava um juro de 5%”, ressaltou.

De acordo com o presidente do INSS, outras entidades também foram regularizadas. O instituto fechou acordo com o banco BMG para devolução de R$ 7 milhões e o PicPay outro R$ 1 milhão, por valores indevidamente cobrados de aposentados e pensionistas.

Até o início de 2025, havia 87 instituições autorizadas a ofertar empréstimo consignado, hoje são 54. As instituições financeiras foram descredenciadas por descumprimento de norma e indício de irregularidades, como empréstimo para pessoas mortas. Além disso, por esta mesma porta do INSS, foram registrados consignados para 750 mil menores de idade. Também compra casada em que, além do valor do empréstimo, o aposentado era obrigado a contratar seguros que somavam 40% a mais.

Assista à entrevista de Gilberto Waller na íntegra:

A atual gestão limitou a concessão do consignado aos segurados que se identificarem por biometria, como forma de reduzir também o superendividamento de muitos aposentados e pensionistas no Brasil.

“O INSS tem que ter o único cuidado com o segurado. Doa a quem doer, como falei do crédito consignado ou outro. A razão do INSS é defender nosso segurado e isso a gente tem que ser de forma contumaz. Não pode aceitar atravessador. Não pode aceitar pessoa com má intenção. Não pode sentar na mesa com quem esteja mal intencionado com o INSS”, asseverou.

Em nota, divulgada após a decisão, em agosto do ano passado, o Banco Crefisa afirmou ter recebido a notícia com supresa e alegou não ter praticado qualquer irregularidade. A instituição ressaltou ainda "que vem cumprindo integralmente as cláusulas do contrato vigente, respeitando todos os critérios legais e contratuais estabelecidos, reforçando seu compromisso com a ética, a legalidade e a boa-fé contratual".

Confira a nota na íntegra:

"Sobre as notícias veiculadas nesta data a respeito da suspensão parcial do contrato de prestação de serviços com o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o Banco Crefisa informa que recebeu com surpresa as informações divulgadas, uma vez que não foi formalmente comunicado por parte do INSS até o momento sobre qualquer medida nesse sentido.

O Banco Crefisa vem prestando regularmente o serviço de pagamento de benefícios desde 2020, sem qualquer interrupção, não havendo reclamação de qualquer Beneficiário de que tenha deixado de receber seu benefício, dentre os mais de 1 milhão de Beneficiários atendidos em todo o território nacional.

Desde que iniciada a prestação dos serviços, o Banco Crefisa já investiu mais de R$1 bilhão de reais em tecnologia e na ampliação e modernização de seus Postos de Atendimento, cumprindo os contratos estabelecidos e atendendo a todos os requisitos impostos pelo INSS. A estrutura dos espaços físicos é adequada e há caixas eletrônicos em todos os Postos de Atendimento para realização de saques. Portanto, não há dificuldades ou impedimento para recebimento dos benefícios, assim como não há atrasos, recusas de pagamento e limitação para saque.

Nenhum contrato é celebrado sem autorização dos clientes. Há um processo claro de contratação e todos os contratos são assinados. Não há coação para abertura de conta-corrente e venda casada de produtos e prova disso é que menos de 5% dos mais de 1 milhão de Beneficiários atendidos abriram conta-corrente na instituição.

Quanto ao sistema de triagem e emissão de senhas, já existe em todos os Postos de Atendimento Bancário, mas já está sendo implantada uma solução ainda mais moderna e com novas funcionalidades para aprimorar o gerenciamento do atendimento.

Por fim, é importante esclarecer que nenhuma empresa, independentemente do seu porte, segmento de atuação ou excelência nos serviços prestados, está imune a receber reclamações de seus clientes. A métrica adequada para avaliar a qualidade dos serviços é a taxa proporcional de reclamações, ou seja, o número de queixas em relação ao total de clientes ou de operações realizadas, que permite uma análise justa e equilibrada. Em relação ao Banco Crefisa, a taxa proporcional de reclamações é extremamente baixa, de menos de 1%.

O Banco Crefisa reitera que não praticou qualquer irregularidade e que vem cumprindo integralmente as cláusulas do contrato vigente, respeitando todos os critérios legais e contratuais estabelecidos, reforçando seu compromisso com a ética, a legalidade e a boa-fé contratual."

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