Hugo Motta defende reajuste de servidores da Câmara e diz que gasto cabe no orçamento
Presidente da Câmara rebate críticas, afirma que aumento de 8% seguiu critérios fiscais e nega “trem da alegria”

Victória Melo
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, defendeu nesta terça-feira (10) a aprovação do plano de reestruturação de carreira dos servidores da Casa. Segundo ele, os gastos com o reajuste salarial estão dentro do orçamento e obedecem critérios fiscais.
A fala ocorreu durante um evento empresarial, em São Paulo. Por videoconferência, Hugo Motta afirmou que o aumento de 8% nos salários dos servidores foi aprovado com responsabilidade e criticou a forma como o tema foi apresentado à sociedade.
“Foi com essa coerência que nós aprovamos, e não esse ‘trem da alegria’ que infelizmente foi passado de maneira errada para a sociedade”, disse.
Oposição critica reajuste
A declaração foi rebatida pelo deputado Chico Alencar, do PSOL do Rio de Janeiro. Para ele, apesar de não caracterizar um “trem da alegria”, o reajuste beneficia uma parcela privilegiada do funcionalismo.
“Se você considerar que não foi um trem da alegria esse reajuste de oito por cento para os servidores da Câmara e do Senado, tem que se reconhecer que tem um vagão de luxo aí nesse trem”, afirmou.
Os projetos de reestruturação salarial, de autoria das Mesas Diretoras da Câmara e do Senado, foram aprovados a toque de caixa na semana passada. O relator da proposta, deputado Alberto Fraga, justificou a medida afirmando que ela é voltada a profissionais altamente qualificados.
“Não teve ninguém que ingressou sem concurso público. Trem da alegria, para mim, é isso”, declarou Fraga.
O plano de carreira aprovado pelo Congresso segue agora para análise do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto avalia a possibilidade de veto, após a repercussão negativa junto à opinião pública. Em ano eleitoral, o governo considera a necessidade de priorizar pautas com maior apelo popular.
Debate sobre teto salarial e “penduricalhos”
Questionado sobre a possibilidade de remuneração acima do teto do funcionalismo público, Hugo Motta afirmou que a regra atinge cerca de 70 servidores em cargos de alta responsabilidade.
O presidente da Câmara também elogiou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, que suspendeu recentemente os chamados “penduricalhos” não previstos em lei.
“O Brasil precisa colocar o dedo na ferida, e é por isso que eu defendo a reforma administrativa”, afirmou Motta.









