Política

Ala do Psol critica Boulos por arquitetar saída para o PT

Dissidência de corrente liderada pelo ministro o acusa de ter usado proposta de federação para justificar saída; Boulos fala em "oportunismo e desespero"

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SBT News
20/03/2026, 20:53 • Atualizado em 20/03/2026, 22:25
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Boulos foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência | Mateus Bonomi/Reuters

Boulos foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência | Mateus Bonomi/Reuters

O racha em uma ala do Psol ligada ao ministro das Relações Institucionais, Guilherme Boulos, ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (20) com uma publicação nas redes sociais de uma dissidência da corrente Revolução Solidária (RS) crítica à saída de Boulos para o PT.

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O ministro não confirma oficialmente a migração de partido e diz que vem “discutindo internamente seus rumos políticos". A janela partidária vai até 4 de abril.

O Psol está dividido desde as investidas para atrair o Psol à órbita da federação partidária do PT, composta também por PCdoB e PV, de olho nas eleições de outubro. O movimento era defendido por Boulos, mas o diretório nacional do Psol rejeitou a entrada no guarda-chuva petista em 7 de março, embora tenha deliberado a favor de apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) no primeiro turno.

A federação facilitaria o cumprimento da cláusula de barreira, já que o Psol não contará neste ano com seu principal puxador de votos: o próprio Boulos. O ministro deve ficar no governo até o fim do ano, sem disputar eleições. Em 2022, ele teve mais de um milhão de votos em São Paulo.

Nesta sexta (20), uma ala que se separou da corrente de Boulos – da qual também faz parte a deputada Erika Hilton (Psol-SP) – publicou uma carta com duras críticas, dizendo ter sido informada da migração na noite de quinta (19), mas que a saída já vinha sendo arquitetada desde o “final de novembro e início de dezembro" e foi selada no fim do ano em encontro com o presidente do PT-SP, Kiko Celeguin, em Praia Grande (SP).

Junto a Boulos, a tendência é de saída também do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que catapultou o agora ministro à projeção nacional durante ocupações que cobravam a desapropriação de terrenos inutilizados e reformas urbanas por moradia popular.

“A militância da RS foi tratada como gado, sabendo mais pela imprensa e pelas redes sociais do que por canais internos. As informações circulavam por camadas conforme o grau de confiança em conversas bilaterais. Agora, parlamentares e pré-candidatos são pressionados a ir para o PT", critica a nota.

A corrente sugeriu que Boulos teria articulado a composição para “construir uma narrativa” que justificasse a migração mais à frente.

“A proposta da federação com o PT foi encomendada com esse objetivo: criar uma polêmica, transformá-la em crise, perder no Diretório Nacional do Psol e com base nisso sair".

A dissidência faz ainda um apelo para que militantes rompam com a ala de Boulos e fiquem no Psol para “se reorganizarem" e se somarem a todos que no Psol lutam para reafirmar o nosso projeto de partido e para reeleger Lula".

Ala de Boulos reage

O ministro respondeu às alegações em nota curta, mas mantendo o tom de confronto interno. Ele disse lamentar que a ala do partido “tenha decidido se apequenar” ao divulgar o documento apócrifo – sem autor definido –, o que demonstraria “oportunismo e desespero".

A ala majoritária do RS também publicou carta criticando “alguns poucos militantes que não aceitam métodos democráticos, se acham iluminados, donos da verdade e, quando não convencem (porque não têm base), iniciam linchamento público e tentativas de divisionismo".

“Não se trata de divergência honesta. Trata-se de construir uma narrativa artificial para tentar deslegitimar uma posição política que não conseguiram derrotar no debate franco", afirmou a corrente também pelo Instagram.

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