Nexus: 1 em cada 3 eleitores está cansado da polarização
Pesquisa mostra equilíbrio entre antilulismo e antibolsonarismo e aponta que 36% estão cansados ou desconfortáveis com a disputa

O presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro | Ricardo Stuckert/PR - Vittor Sales/Flickr
A polarização política continua dividindo o eleitorado brasileiro, mas também provoca desgaste entre a população. A pesquisa da Nexus mostra que 65% dos brasileiros reconhecem a existência de uma divisão política no país, enquanto 36% afirmam estar cansados ou desconfortáveis com esse cenário. Apenas 17% dizem estar confortáveis com a polarização.
O levantamento também aponta um equilíbrio entre os dois principais polos. Em uma escala de 0 a 10, em que 10 representa concordância total com o sentimento "anti", a média do antі-Lula é de 5,5, enquanto a do anti-Bolsonaro é de 5,1. Os resultados mostram ainda forte concentração nos extremos: 38% deram nota 10 para o sentimento anti-Lula, enquanto 30% deram nota 0. No caso do anti-Bolsonaro, 33% deram nota 10 e outros 33%, nota 0.
A partir do cruzamento das respostas, a Nexus identificou seis grupos de eleitores. Os bolsonaristas convictos representam 27% e são aqueles que se identificam com o antilulismo e rejeitam o antibolsonarismo. Os lulistas convictos somam 23%, com comportamento inverso.
Outros 23% são considerados não polarizados, por não se engajarem com nenhum dos dois sentimentos. Há ainda 8% que veem Bolsonaro como alternativa, 8% que se posicionam simultaneamente contra Lula e Bolsonaro e 6% que consideram Lula uma alternativa.
O levantamento mostra, portanto, que 50% dos eleitores estão concentrados nos dois grupos de maior identificação com os polos políticos, enquanto a outra metade se distribui entre eleitores não polarizados, alternativas e aqueles que rejeitam os dois lados.
Polarização varia conforme perfil
As diferenças também aparecem entre grupos sociais. Os evangélicos concentram a maior proporção de bolsonaristas convictos, com 35%, enquanto pessoas sem religião têm o maior percentual de lulistas convictos, com 36%.
Por escolaridade, 29% dos eleitores com ensino superior são lulistas convictos, enquanto o maior percentual de bolsonaristas convictos está entre aqueles com ensino médio, com 31%.
A renda também apresenta diferenças. Entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, 33% são bolsonaristas convictos e 28%, lulistas convictos. Já entre os que recebem até um salário mínimo, 30% estão no grupo dos não polarizados.
Regionalmente, o Nordeste tem a maior concentração de lulistas convictos, com 27%, e de não polarizados, com 29%. O Sudeste registra a maior proporção de bolsonaristas convictos, com 32%.
Maioria reconhece divisão, mas está cansada
O sentimento diante da polarização muda conforme o perfil político. O desconforto é especialmente elevado entre aqueles que não aderem completamente a um dos polos: 59% dos que veem Lula como alternativa estão cansados ou desconfortáveis com a polarização, índice que chega a 51% entre os que consideram Bolsonaro uma alternativa.
Entre os eleitores convictos, o desgaste é menor, embora a percepção de que existe polarização permaneça elevada. O resultado sugere que, apesar de a divisão entre lulismo e bolsonarismo continuar sendo um dos principais eixos da política brasileira, uma parcela relevante do eleitorado demonstra fadiga com o conflito entre os dois campos.















