PF prende delegado e policiais civis suspeitos de extorquir traficantes no RJ
Investigação aponta esquema de corrupção envolvendo policiais que cobravam propina de integrantes de facção criminosa
Felipe Ramos
A Polícia Federal (PF) prendeu nesta terça-feira (10) três policiais civis do Rio de Janeiro suspeitos de participar de um esquema de corrupção e extorsão de dinheiro de traficantes.
Entre os presos está o delegado Marcus Henrique de Oliveira Alves, titular da Delegacia de Inhaúma, na zona norte da capital fluminense. Segundo os investigadores, ele seria um dos líderes do esquema.
Também foram presos os policiais civis Franklin José de Oliveira Alves e Leandro Moutinho de Deus. Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A prisão ocorreu durante a segunda fase da Operação Anomalia, deflagrada pela PF para desarticular um núcleo criminoso suspeito de negociar vantagens indevidas e vender influência para favorecer interesses de traficantes.
Esquema cobrava propina de traficantes
De acordo com a Polícia Federal, o grupo extorquia integrantes da facção criminosa Comando Vermelho (CV), considerada a maior organização criminosa do estado.
As investigações apontam que os policiais utilizavam intimações oficiais para pressionar e coagir traficantes. Em troca de pagamentos de propina, os criminosos deixariam de ser presos.
Durante as buscas, agentes encontraram pilhas de dinheiro em espécie na casa de um dos investigados, localizada na Barra da Tijuca, na zona oeste do Rio.
A investigação também identificou movimentações financeiras milionárias incompatíveis com os salários dos policiais. Segundo a Polícia Federal, os valores eram lavados por meio de uma rede de empresas de fachada registradas em nome de familiares.
Além das prisões e dos mandados de busca e apreensão, o Supremo Tribunal Federal determinou o afastamento imediato dos investigados das funções públicas.
A decisão também incluiu o bloqueio de contas bancárias, criptoativos e das atividades das empresas suspeitas de participação no esquema.
Entre os alvos da operação desta terça-feira também está o traficante Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”.
Segundo a Polícia Federal, ele seria o elo entre os policiais investigados e integrantes do Comando Vermelho. O traficante já estava preso desde setembro do ano passado.
Nova fase da operação
A nova fase da operação ocorre um dia após a primeira etapa da investigação. Na segunda-feira (9), três pessoas foram presas.
Entre elas estão o delegado da Polícia Federal Fabrízio Romano e o ex-secretário estadual de Esportes do Rio de Janeiro Alessandro Pitombeira Carracena.
Eles são suspeitos de atuar como intermediários para viabilizar favores e pagamentos ilícitos, além de repassar informações sobre operações policiais em áreas controladas pela facção criminosa.
Propina para interferir em extradição
Segundo a Polícia Federal, o grupo teria recebido R$ 150 mil em propina para tentar interferir no processo de extradição do traficante internacional Gerel Lusiano Palm.
A advogada Patrícia Falcão, que representava o criminoso, também foi presa. De acordo com as investigações, ela teria realizado o pagamento para tentar favorecer o cliente.
Um quarto investigado segue foragido.









