Polícia

Governo do RS reconhece erro em ação policial que matou produtor rural em Pelotas

Produtor rural de 48 anos morreu após ser atingido por pelo menos 20 tiros durante operação da Brigada Militar no interior de Pelotas

O governo do Rio Grande do Sul reconheceu que houve erro na ação policial que terminou com a morte de um produtor rural em Pelotas. Marcos Nornberg, de 48 anos, foi atingido por pelo menos 20 tiros disparados por policiais.

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“É uma situação que envolve um equívoco, entendimento das partes. Agora, cabe ao Estado do Rio Grande do Sul apurar as circunstâncias”, declarou o governador Eduardo Leite.

As perícias na propriedade começaram na tarde desta sexta-feira (16). Imagens de câmeras de segurança já estão com a polícia.

O delegado de polícia César Nogueira afirma que ainda não há confirmação sobre a dinâmica do ocorrido.

“A gente não sabe ainda os detalhes, se ele chegou a efetuar algum disparo, se ele chegou a apontar para os policiais. Isso vai depender da oitiva dos policiais e também da esposa da vítima, para a gente confirmar. Mas, em razão de ele ter pegado essa arma, os policiais acabaram efetuando os disparos que resultaram na morte dele”, explica.

O comando da Brigada Militar também assumiu que houve erro na operação.

“Isso não é julgamento preliminar, é uma constatação, na medida em que o produtor rural entendia que ia ser roubado por um grupo de criminosos e, de fato, eram policiais militares que tinham esta informação. A partir daí, armado, teria efetuado disparos contra os policiais. Nós temos, inclusive, nessa interação, um colete, um escudo balístico que foi utilizado para aproximação, que foi furado a tiros”, afirma o comandante da Brigada Militar, coronel Cláudio Feoli.

A Corregedoria da Polícia Militar investiga se foi uma pista falsa, dada por presos, que levou os policiais até a propriedade. A Polícia Civil não foi comunicada da operação da Polícia Militar. Também não havia mandado judicial, apenas a suposição de que haveria flagrante.

O corregedor afirmou que os 17 policiais envolvidos na ocorrência estão afastados das funções. A denúncia de tortura também será investigada.

“Se, no curso desse processo todo, há notícia de algum outro crime ocorrido, conforme noticiado pela senhora Raquel, isso também faz parte da investigação e vai ser apurado devidamente”, disse o corregedor-geral da Brigada Militar, coronel Rodrigo Assis Brasil. Os policiais militares foram afastados e encaminhados para avaliação biopsicossocial.

O professor de direito Rodrigo Ghiringhelli de Azevedo avalia que a polícia deveria ter feito campana para confirmar a denúncia.

“Não há dúvida que, numa situação como essa, o Estado é responsável pela indenização da família. Sabemos que isso não vai trazer a pessoa de volta, mas isso é absolutamente necessário, educativo, pedagógico e é uma forma também da família obter um retorno minimamente adequado para uma perda inestimável”, afirma.

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