Cidades

Deolane Bezerra tem prisão mantida após audiência de custódia

Influenciadora é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro em esquema ligado ao PCC, de acordo com a polícia

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SBT News

A Justiça de São Paulo decidiu manter a prisão preventiva da advogada e influenciadora digital Deolane Bezerra, após audiência de custódia nesta quinta-feira (21).

Com mais de 20 milhões de seguidores nas redes sociais, Deolane foi presa durante a Operação Vernix, conduzida pela Polícia Civil. Segundo os investigadores, ela é apontada como uma das principais suspeitas em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

Deolane foi encaminhada à Penitenciária Feminina de Santana, na zona norte da capital paulista. A expectativa é que ela seja transferida nesta sexta-feira (22) para uma unidade prisional feminina em Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

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Familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, "Marcola", considerado um dos chefes da facção, também foram alvo da operação.

Investigações

Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, Deolane seria responsável por movimentações financeiras que ajudariam a ocultar recursos ligados ao PCC.

A suspeita é de que ela atuasse como uma espécie de "caixa" do esquema, utilizando ou cedendo contas bancárias para receber e movimentar valores atribuídos à organização criminosa.

As investigações apontam que a influenciadora teria criado ao menos 35 empresas de fachada, supostamente utilizadas para movimentar recursos. Segundo a polícia, empresas vinculadas ao nome de Deolane também estariam registradas em um mesmo endereço.

Terceira prisão de Deolane Bezerra

Esta é a terceira vez que Deolane Bezerra é presa. Em setembro de 2024, a influenciadora foi detida ao lado da mãe, Solange Bezerra, durante a Operação Integration, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação de impostos e ocultação de bens ligados a jogos ilegais.

O caso

A influenciadora digital foi presa na manhã desta quinta-feira (21) durante uma operação do MPSão Paulo e da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC.

A investigação também mira familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como chefe da facção criminosa e que já cumpre pena no sistema prisional federal.

O esquema envolvia uma transportadora de cargas de Presidente Venceslau, no interior paulista, apontada pelos investigadores como braço financeiro do PCC. A apuração indica que empresas, contas bancárias e bens de alto valor eram usados para esconder a origem dos recursos e reinserir o dinheiro no sistema formal.

As investigações começaram em 2019, depois que a Polícia Penal apreendeu bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau. O material citava integrantes da facção, ordens internas e possíveis ataques contra agentes públicos. Em um dos trechos, os investigadores encontraram referência a uma “mulher da transportadora”, que teria ajudado a levantar endereços de agentes públicos para possíveis ataques planejados pela organização criminosa.

A partir dessa referência, uma segunda fase da investigação chegou à empresa de transportes. Durante uma das operações na transportadora, a análise de um celular apreendido revelou conversas com pessoas ligadas à cúpula da facção, além de indícios de movimentações financeiras envolvendo Deolane.

Segundo os investigadores, a influenciadora passou a ser alvo após a identificação de movimentações milionárias e incompatibilidades patrimoniais, além de relações pessoais e empresariais com pessoas ligadas ao esquema. A investigação aponta uso de estruturas empresariais e patrimônio de alto padrão para dificultar o rastreamento do dinheiro.

A operação desta quinta também determinou o bloqueio de mais de R$ 327 milhões, além do sequestro de 17 veículos, incluindo carros de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões, e quatro imóveis ligados aos investigados.

De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, três investigados estão fora do país, na Itália, Espanha e Bolívia. Por isso, a polícia pediu a inclusão dos nomes na lista vermelha da Interpol para localização e possível prisão internacional.

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