Delegado revela os bastidores da investigação de latrocínios em novo episódio do True Crime
Rogério Barbosa detalha as dificuldades de investigar o crime que combina roubo e homicídio e defende endurecimento das penas
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Rafael Ribeiro, Fabio Diamante, Robinson Cerantula
Delegado Rogério Barbosa | Reprodução/True Crime
Investigar um latrocínio é, por natureza, começar do zero. Diferente do homicídio, onde o vínculo entre vítima e autor frequentemente aponta um caminho, no latrocínio esse elo praticamente não existe. O crime nasce de um roubo que escapa ao controle — e termina em morte. Esse é o ponto de partida do novo episódio do podcast True Crime, que recebe o delegado Rogério Barbosa, da Divisão de Capturas da Polícia Civil de São Paulo e ex-titular da Delegacia de Roubos e Latrocínios do DEIC.
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Ao longo da conversa com Fabio Diamante e Robinson Cerantula, o delegado explica por que esses casos são tão difíceis de resolver. "A dificuldade é porque o latrocínio decorre normalmente de um roubo que não deu certo. Então não tem esse vínculo entre vítima e autor, como no caso do homicídio. Então pra investigação, isso torna muito difícil", afirma.
Para enfrentar esse obstáculo estrutural, Barbosa revela que a Polícia Civil desenvolveu um protocolo próprio de investigação, inspirado nas técnicas já utilizadas em homicídios. A inovação foi incorporar o estudo minucioso do local do crime — com rastreamento de câmeras de segurança no entorno, cobrindo o período anterior e posterior ao ocorrido. "Quando a gente chega no latrocínio, a gente percebe que era necessário fazer um estudo do local do crime, como é feito no homicídio. A gente resolve criar uma espécie de protocolo. Percorrendo tanto antes quanto depois, você consegue uma imagem de melhor qualidade que vai dar elemento pra buscar a roupa que ele tava vestindo", explica o delegado.
O episódio também aborda o perfil dos autores de latrocínio — e o retrato traçado por Barbosa é direto. Para ele, o criminoso que comete esse tipo de crime não dimensiona as consequências dos próprios atos. "Ele não tem nem a noção do que é ser condenado por um crime dessa natureza. E também não tá preocupado em matar alguém por causa de uma aliança, de um celular", diz. A desproteção das vítimas policiais aparece nesse mesmo contexto: segundo Barbosa, quando o alvo é um agente de segurança, o desfecho pode ser ainda mais grave, porque o policial "tem que tentar reagir pra não morrer".
Outro ponto central da entrevista é a estrutura criminosa por trás dos latrocínios. Barbosa chama atenção para as chamadas micro organizações — grupos menores, menos visíveis que o PCC ou outras facções, mas igualmente organizados. "A gente fala muito de organização criminosa pensando no tráfico, no PCC. Mas a gente tá falando de micro organizações. Tem a divisão de tarefas bem nítida: o receptador, quem fornece tudo, os autores que saem pras ruas. Isso vai refletir lá na ponta, no latrocínio", detalha.
O delegado também fala sobre o impacto humano desses crimes — e a relação das equipes de investigação com as famílias das vítimas. "A gente tem muito contato com os familiares. A dor que causa essa morte, o trauma pra família inteira", diz, ao relatar casos em que o sofrimento se estende por décadas.
Ao final, Barbosa defende o endurecimento das penas para crimes de latrocínio. Para ele, a legislação atual fica aquém do que a gravidade do crime exige. "Pela minha experiência como policial, cabe mais. Cabe um endurecimento. A dor vai permanecer até o familiar morrer. Até o fim da vida", conclui.
O novo episódio do True Crime vai ao ar no dia 25 de abril, no SBT News.
Delegado revela os bastidores da investigação de latrocínios em novo episódio do True CrimeRogério Barbosa detalha as dificuldades de investigar o crime que combina roubo e homicídio e defende endurecimento das penasCidades2026-04-25T17:00:00.000ZInvestigar um latrocínio é, por natureza, começar do zero. Diferente do homicídio, onde o vínculo entre vítima e autor frequentemente aponta um caminho, no latrocínio esse elo praticamente não existe. O crime nasce de um roubo que escapa ao controle — e termina em morte. Esse é o ponto de partida do novo episódio do podcast True Crime, que recebe o delegado Rogério Barbosa, da Divisão de Capturas da Polícia Civil de São Paulo e ex-titular da Delegacia de Roubos e Latrocínios do DEIC. Ao longo da conversa com Fabio Diamante e Robinson Cerantula, o delegado explica por que esses casos são tão difíceis de resolver. "A dificuldade é porque o latrocínio decorre normalmente de um roubo que não deu certo. Então não tem esse vínculo entre vítima e autor, como no caso do homicídio. Então pra investigação, isso torna muito difícil", afirma. Para enfrentar esse obstáculo estrutural, Barbosa revela que a Polícia Civil desenvolveu um protocolo próprio de investigação, inspirado nas técnicas já utilizadas em homicídios. A inovação foi incorporar o estudo minucioso do local do crime — com rastreamento de câmeras de segurança no entorno, cobrindo o período anterior e posterior ao ocorrido. "Quando a gente chega no latrocínio, a gente percebe que era necessário fazer um estudo do local do crime, como é feito no homicídio. A gente resolve criar uma espécie de protocolo. Percorrendo tanto antes quanto depois, você consegue uma imagem de melhor qualidade que vai dar elemento pra buscar a roupa que ele tava vestindo", explica o delegado. O episódio também aborda o perfil dos autores de latrocínio — e o retrato traçado por Barbosa é direto. Para ele, o criminoso que comete esse tipo de crime não dimensiona as consequências dos próprios atos. "Ele não tem nem a noção do que é ser condenado por um crime dessa natureza. E também não tá preocupado em matar alguém por causa de uma aliança, de um celular", diz. A desproteção das vítimas policiais aparece nesse mesmo contexto: segundo Barbosa, quando o alvo é um agente de segurança, o desfecho pode ser ainda mais grave, porque o policial "tem que tentar reagir pra não morrer". Outro ponto central da entrevista é a estrutura criminosa por trás dos latrocínios. Barbosa chama atenção para as chamadas micro organizações — grupos menores, menos visíveis que o PCC ou outras facções, mas igualmente organizados. "A gente fala muito de organização criminosa pensando no tráfico, no PCC. Mas a gente tá falando de micro organizações. Tem a divisão de tarefas bem nítida: o receptador, quem fornece tudo, os autores que saem pras ruas. Isso vai refletir lá na ponta, no latrocínio", detalha. O delegado também fala sobre o impacto humano desses crimes — e a relação das equipes de investigação com as famílias das vítimas. "A gente tem muito contato com os familiares. A dor que causa essa morte, o trauma pra família inteira", diz, ao relatar casos em que o sofrimento se estende por décadas. Ao final, Barbosa defende o endurecimento das penas para crimes de latrocínio. Para ele, a legislação atual fica aquém do que a gravidade do crime exige. "Pela minha experiência como policial, cabe mais. Cabe um endurecimento. A dor vai permanecer até o familiar morrer. Até o fim da vida", conclui. O novo episódio do True Crime vai ao ar no dia 25 de abril, no SBT News. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/policia/delegado-revela-os-bastidores-da-investigacao-de-latrocinios-em-novo-episodio-do-true-crime
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