Áudio de câmera corporal revela tortura em abordagem da Brigada Militar em Porto Alegre
Gravação mostra ameaças explícitas, gritos de dor e sons compatíveis com agressões físicas, sufocamento e uso de arma de choque
SBT Brasil
O áudio captado pela câmera corporal de um policial militar revela uma suposta sessão de tortura durante uma abordagem da Brigada Militar na zona sul de Porto Alegre. Quatro soldados do 21º Batalhão da BM se tornaram réus por crimes como tortura, violação de domicílio e cárcere privado.
Segundo o Ministério Público, a lente da câmera corporal foi obstruída propositalmente, deixando as imagens totalmente escuras. Apesar disso, o equipamento continuou gravando o áudio da ação, que dura 23 minutos.
No material, é possível ouvir ameaças explícitas, gritos de dor e sons compatíveis com agressões físicas, sufocamento e uso de arma de choque. Em um dos trechos, um policial afirma: "Agora é sessão de horror".
De acordo com a denúncia, os policiais invadiram uma residência sem mandado judicial, na madrugada de 1º de agosto de 2025, no bairro Lami. Eles procuravam uma pistola, conhecida como "PT".
Durante a ação, ao menos três pessoas teriam sido submetidas a tortura física e psicológica, incluindo uma mulher atingida por arma de choque.
Quatro policiais militares se tornaram réus na Justiça Militar. Dois deles estão presos preventivamente no Presídio Policial Militar, enquanto os outros dois respondem ao processo em liberdade.
Nesta quarta-feira (28), o Tribunal de Justiça Militar analisou um pedido de habeas corpus dos soldados Sandro Acosta e Anderson Azambuja de Souza, mas a prisão foi mantida após a suspensão do julgamento por pedido de vista.
A defesa afirma que o áudio precisa ser melhor esclarecido e contesta a interpretação do material. Já a Brigada Militar informou que os policiais também respondem a processos administrativos e declarou que repudia qualquer conduta que atente contra a dignidade humana.









