Venezuela contradiz Trump e diz manter controle do petróleo
Em pronunciamento, Delcy Rodríguez afirmou que acordo com os EUA envolve parcerias para exploração de 65 bilhões de barris em reservas
SBT News
Delcy Rodríguez em pronunciamento na noite de sábado (29) | Reprodução/X
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na noite de sábado (29) que o país não abriu mão do controle de suas reservas de petróleo um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que havia fechado um acordo que daria aos EUA o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano.
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“Uma coisa deve ficar absolutamente clara: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos”, afirmou Rodríguez em pronunciamento transmitido pela televisão estatal.
Assista (em espanhol):
#Repost Presidenta @delcyrodriguezv | El gran acuerdo energético con Estados Unidos sigue nuestro camino para convertir a Venezuela, de un país con grandes reservas, en una potencia productora de petróleo, en beneficio y felicidad del pueblo venezolano. pic.twitter.com/cuPH2PLwor
— Ministerio de Comunicación e Información (@mippci_ven) August 30, 2026
Segundo Rodríguez, o acordo terá duração de 25 anos e prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com uma meta de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia, enquanto empresas e investidores estrangeiros fornecerão capital, tecnologia e capacidade operacional para recuperar a indústria petrolífera, com prioridade para os EUA.
A presidente interina afirmou que a Venezuela receberá mais de US$ 209 bilhões em receitas ao longo do projeto, considerando o petróleo a US$ 65 por barril. Mas, segundo ela, aproximadamente só US$ 19 de cada barril produzido ficará no país.
“Temos as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, mas ter recursos no subsolo não basta”, afirmou Rodríguez. “Precisamos de investimento, tecnologia, infraestrutura e capacidade produtiva para transformar essa riqueza em prosperidade", completou.
O acordo também prevê o desenvolvimento de oito blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco, com royalties mínimos de 16%.
Rodríguez afirmou ainda que novos acordos devem ser firmados com empresas como Chevron, Repsol, Shell, Eni e a BP para ampliar os investimentos e a produção de petróleo no país.
Pressão por petróleo
O acordo ocorre em meio à busca do governo Trump por ampliar a oferta de petróleo e reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. O governo americano também pretende recompor sua reserva estratégica de petróleo para aumentar o fornecimento para as refinarias locais.
O acordo foi anunciado meses depois da operação militar americana que retirou Nicolás Maduro do poder e levou à prisão do ex-presidente. Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro, assumiu a presidência interinamente. Não há previsão de novas eleições no país.
Venezuela pode deixar a Opep
O governo venezuelano avalia deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo informações divulgadas pela Bloomberg. O país é membro fundador do grupo desde 1960, mas há anos não cumpre as cotas de produção estabelecidas pela organização, em meio à crise e à deterioração de sua indústria petrolífera estatal.
O eventual afastamento da Opep ocorreria em meio à aproximação entre Caracas e Washington. Os Estados Unidos mantêm uma relação historicamente conflituosa com o grupo devido à influência da organização sobre os preços internacionais do petróleo.
Venezuela contradiz Trump e diz manter controle do petróleoEm pronunciamento, Delcy Rodríguez afirmou que acordo com os EUA envolve parcerias para exploração de 65 bilhões de barris em reservasMundo2026-08-30T12:07:02.520ZA presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, afirmou na noite de sábado (29) que o país não abriu mão do controle de suas reservas de petróleo um dia depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que havia fechado um acordo que daria aos EUA o controle majoritário sobre mais de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano. “Uma coisa deve ficar absolutamente clara: a Venezuela mantém a propriedade e a soberania sobre seus recursos”, afirmou Rodríguez em pronunciamento transmitido pela televisão estatal. Assista (em espanhol): Na sexta-feira (28), Trump havia dito que os Estados Unidos . O volume de 65 bilhões de barris corresponde a cerca de 22% das reservas comprovadas do país, de 303 bilhões. Segundo Rodríguez, o acordo terá duração de 25 anos e prevê o desenvolvimento de 17 campos estratégicos, com uma meta de produção superior a 1,5 milhão de barris por dia, enquanto empresas e investidores estrangeiros fornecerão capital, tecnologia e capacidade operacional para recuperar a indústria petrolífera, com prioridade para os EUA. A presidente interina afirmou que a Venezuela receberá mais de US$ 209 bilhões em receitas ao longo do projeto, considerando o petróleo a US$ 65 por barril. Mas, segundo ela, aproximadamente só US$ 19 de cada barril produzido ficará no país. “Temos as maiores reservas de petróleo bruto do mundo, mas ter recursos no subsolo não basta”, afirmou Rodríguez. “Precisamos de investimento, tecnologia, infraestrutura e capacidade produtiva para transformar essa riqueza em prosperidade", completou. O acordo também prevê o desenvolvimento de oito blocos na Faixa Petrolífera do Orinoco, com royalties mínimos de 16%. Rodríguez afirmou ainda que novos acordos devem ser firmados com empresas como Chevron, Repsol, Shell, Eni e a BP para ampliar os investimentos e a produção de petróleo no país. Pressão por petróleo O acordo ocorre em meio à busca do governo Trump por ampliar a oferta de petróleo e reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. O governo americano também pretende recompor sua reserva estratégica de petróleo para aumentar o fornecimento para as refinarias locais. O acordo foi anunciado meses depois da operação militar americana que retirou Nicolás Maduro do poder e levou à prisão do ex-presidente. Delcy Rodríguez, que era vice de Maduro, assumiu a presidência interinamente. Não há previsão de novas eleições no país. Venezuela pode deixar a Opep O governo venezuelano avalia deixar a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), segundo informações divulgadas pela Bloomberg. O país é membro fundador do grupo desde 1960, mas há anos não cumpre as cotas de produção estabelecidas pela organização, em meio à crise e à deterioração de sua indústria petrolífera estatal. O eventual afastamento da Opep ocorreria em meio à aproximação entre Caracas e Washington. Os Estados Unidos mantêm uma relação historicamente conflituosa com o grupo devido à influência da organização sobre os preços internacionais do petróleo.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/venezuela-contradiz-trump-e-diz-manter-controle-do-petroleo