"Vamos dar à diplomacia todas as chances de sucesso", diz Rubio sobre guerra no Irã
Governo norte-americano esperava acordo até domingo (24), mas questão nuclear gerou impasse nas negociações


Secretario de Estados dos EUA, Marco Rubio | Divulgação
O Secretário de Estados dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que pode concluir um acordo para encerrar a guerra no Irã nesta segunda-feira (25). Ele enfatizou, contudo, que as negociações podem levar mais tempo, mas que "dará à diplomacia todas as chances de sucesso antes de explorar as alternativas".
“Achávamos que poderíamos ter notícias ontem à noite. Talvez hoje. Não tirem muitas conclusões precipitadas. Leva um tempo para recebermos uma resposta”, disse Rubio. “O presidente [Donald Trump] não vai fazer um acordo ruim. Portanto, estou confiante de que chegaremos a um bom acordo, ou teremos que lidar com isso de outra forma”, acrescentou.
A declaração de Rubio vem após o governo norte-americano afirmar que as negociações com o Irã estavam avançando de maneira “ordenada e construtiva”. Trump disse que esperava um anúncio até a noite de domingo (24), mas depois instruiu os negociadores a “não apressarem” um acordo com Teerã.
Acredita-se que o impasse permaneça sobre a questão nuclear. Mais cedo, uma fonte do governo iraniano afirmou à Reuters que Teerã não aceitou entregar o estoque de urânio altamente enriquecido aos Estados Unidos, dizendo que a questão nuclear não faria parte do acordo preliminar de paz.
Isso porque o acordo em discussão envolve apenas a ampliação do cessar-fogo entre os países, a reabertura do Estreito de Ormuz e um plano para novas negociações envolvendo o programa nuclear iraniano.
À imprensa, Rubio não comentou sobre a declaração, dizendo apenas que os Estados Unidos tem um acordo preliminar “bastante sólido”. “Temos o que eu considero uma proposta bastante sólida em termos da capacidade de conseguir a reabertura do Estreito. Entrar em uma negociação real, significativa e com prazo determinado sobre as questões nucleares, e esperamos que possamos concretizá-la. Há muito apoio globalmente”, disse.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como "positivo" pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.















