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Trump reitera que gostaria de ver a Irlanda reunificada

Declaração foi dada após encontro com premiê irlandês, Micheal Martin, que minimizou falas do presidente dos Estados Unidos

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com informações da Reuters , André de Sena
Presidente dos EUA, Donald Trump, é recebido pelo primeiro-ministro da Irlanda, Micheal Martin, em Dublin, Irlanda | Natalia Campos/Reuters

Presidente dos EUA, Donald Trump, é recebido pelo primeiro-ministro da Irlanda, Micheal Martin, em Dublin, Irlanda | Natalia Campos/Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a dizer neste domingo (13) que gostaria que a Irlanda do Norte se separasse do Reino Unido para voltar a formar um único país junto com a República da Irlanda. O americano também citou a Escócia.

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“Vocês têm a Irlanda do Norte e têm a Irlanda, e me parece que uma das coisas mais ‘naturais’ de todos os tempos é uni-las”, disse Trump a jornalistas durante um torneio de golfe em um de seus resorts, que fica situado em território irlandês. “Vocês perguntaram sobre a Escócia. Sobre isso, ainda não vou falar. Vou deixar para outro dia”, acrescentou.

As falas de Trump reforçam o que ele já havia dito no sábado, durante uma coletiva de imprensa, após se reunir com o primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, durante uma visita à capital irlandesa, Dublin. "Bem, não quero causar problemas, mas vou dizer que adoraria ver a união", afirmou. "Isso vai acontecer eventualmente... Acho que seria fantástico", completou.

Reação unionista

As declarações dadas por Trump no sábado provocaram uma reação do Partido Unionista Democrático, o maior grupo político da Irlanda do Norte, que defende a continuidade da União com a Inglaterra.

"O futuro constitucional da Irlanda do Norte será decidido pelo povo da Irlanda do Norte, não por comentários em Londres, Dublin ou Washington", escreveu o líder do partido, Gavin Robinson, em uma postagem na rede social X. Anteriormente, ele já havia elogiado Trump publicamente. Mas, dessa vez, afirmou que uma reunificação levaria à "destruição" de se país.

Na capital norte-irlandesa, Belfast, os apoiadores da reunificação reagiram com cautela. "Acho que é só para chamar a atenção (...) Não acho que ele se importe se haverá ou não uma Irlanda Unida", disse Eamon Hanna, um apoiador do partido nacionalista SDLP, que tem feito críticas ferrenhas às políticas de Trump.

A questão da não reunificação das Irlandas foi definida em 1998, com a assinatura de um acordo de paz que pôs fim a décadas de violência entre nacionalistas e unionistas em território norte-irlandês. Naquela ocasião, o governo dos Estados Unidos desempenhou um papel fundamental na intermediação pelo tratado de paz.

Posicionamento de Micheal Martin

O comentário de Trump rompe com a posição de neutralidade adotada por seus antecessores na Casa Branca. Nesse domingo (13), Michael Martin se encontrou novamente com Trump para almoçar no resort onde ocorreu o campeonato de golfe e se pronunciou sobre as falas do americano, sugerindo que as reações dos unionistas foram exageradas.

“Não deveria ser uma surpresa. Ele tem uma perspectiva diferente sobre as coisas”, disse Martin a jornalistas. Segundo ele, no almoço, além de discutir a relação da República da Irlanda com a Irlanda no Norte, ele também explicou a Trump como a região administrada pelos britânicos alcançou a paz.

“Apoio a unificação, mas não vejo isso acontecendo agora. Fui muito claro quanto a isso”, disse Martin à BBC News em uma entrevista separada. “É provável que, se uma votação fosse realizada na próxima semana, seria muito difícil que fosse aprovada.”

A Escócia, onde Trump possui dois resorts de golfe, passou por um referendo na década passada para decidir sobre a separação ou permanência no Reino Unido. Na ocasião, 55,3% das pessoas que participaram da votação foram a favor da permanência.

O poder de decidir sobre um novo referendo cabe ao governo do Reino Unido. O primeiro-ministro, Andy Burnham, descartou essa possibilidade, bem como a realização de uma votação semelhante na Irlanda do Norte.

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