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Terremoto pode ter causado enchente devastadora no Nepal

Especialistas ainda investigam a causa exata e alertam para o risco de uma nova enchente na região

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SBT News, com informações da Reuters

Uma possível sequência de eventos naturais pode ter provocado a inundação repentina que devastou áreas próximas à fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, deixando mortos e centenas de pessoas desaparecidas.

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A principal hipótese é que um terremoto tenha desencadeado uma avalanche de gelo e rochas no rio Lhende Khola, provocando o deslocamento de uma enorme quantidade de água, lama e detritos.

Essa suspeita, porém, ainda não foi confirmada pelas autoridades. O Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ) identificou um terremoto de magnitude 4,4 ocorrido aproximadamente sete minutos antes do horário registrado nas imagens de segurança do desastre.

O epicentro foi a 10 quilômetros de profundidade. Segundo o USGS, o tremor foi registrado às 8h37 da manhã. A relação direta entre o tremor e o rompimento ainda não foi confirmada, mas a proximidade entre os eventos chama atenção.

Como o terremoto pode ter provocado a enchente?

A hipótese é que o tremor tenha desestabilizado encostas e áreas congeladas das montanhas. Com isso, uma massa de gelo e rochas teria desabado no rio Lhende Khola, bloqueando ou alterando temporariamente o curso da água.

O especialista Qianggong Zhang, do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado das Montanhas, afirmou que uma avalanche de gelo e rochas no rio pode ter sido o gatilho da enchente, mas ressaltou que essa relação ainda não está confirmada.

A enorme quantidade de material lançada no rio teria contribuído para formar uma onda de água, lama e pedras que avançou rapidamente pela região. Imagens de câmeras de segurança mostram pessoas tentando fugir pouco antes de uma parede de água, lama e rochas atingir construções e veículos na área da fronteira.

Imagens de satélite também aparentam mostrar uma grande quantidade de rochas e lama ocupando um vale na região montanhosa após o desastre, reforçando a dimensão do fluxo de detritos.

Imagens de satélite mostram uma torrente de rochas e lama em um vale montanhoso no Nepal. | Reprodução/Reuters
Imagens de satélite mostram uma torrente de rochas e lama em um vale montanhoso no Nepal. | Reprodução/Reuters

Por que a destruição foi tão grande?

A região é formada por montanhas íngremes e vales estreitos, por onde rios descem em direção ao Nepal. Quando uma grande quantidade de água e sedimentos entra repentinamente nesses cursos, o fluxo pode ganhar velocidade e carregar pedras, árvores, veículos, pontes e construções.

Foi o que ocorreu na região afetada. Casas, estradas, pontes e projetos de energia foram atingidos.

O fluxo de detritos também alcançou o porto de Gyirong, importante passagem terrestre entre a China e o Nepal, provocando danos às conexões rodoviárias, de comunicação e de energia.

Risco de nova enchente

Ainda existe uma obstrução no trecho superior do rio que pode provocar uma segunda inundação caso seja rompida ou deslocada, ainda segundo Qianggong Zhang.

Por isso, autoridades nepalesas orientaram moradores de áreas baixas e próximas aos rios a procurar locais mais elevados. Alertas de enchentes também foram emitidos para os estados indianos de Uttar Pradesh e Bihar, que recebem rios provenientes da região do Himalaia.

O cenário também dificulta o trabalho das equipes de emergência. No Nepal, helicópteros de resgate não conseguiram pousar nas áreas afetadas, em Syapru Besi e Timure, no distrito montanhoso de Rasuwa, com uma população de cerca de 50 mil habitantes.

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