Somália: confrontos entre governo e rebeldes matam dezenas
País enfrenta crise com deslocamento forçado da população e fome agravada por conflitos armados
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André de Sena, com informações da Reuters
Confrontos entre tropas do governo e rebeldes mataram dezenas em Baidoa, na Somália | Reprodução/Reuters
Confrontos entre tropas do governo federal da Somália e forças de oposição deixaram dezenas de mortos na cidade de Baidoa, na região sudoeste do país, nesta segunda-feira (17). A informação foi divulgada pelo Ministério da Defesa somali.
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Moradores locais ouvidos pela agência de notícia Reuters afirmam que os embates ocorridos no centro da cidade, uma das mais populosas do país, são os mais violentos desde março. "Vi 10 pessoas mortas, incluindo quatro civis e seis soldados de ambos os grupos", disse Farah Ibrahim.
Moradores carregam homem ferido em confronto entre tropas do governo e rebeldes na Somália | Reprodução/Reuters
O confronto armado agrava a delicada situação humanitária na região, que abriga centenas de milhares de pessoas deslocadas por conta desse e de outros conflitos. De acordo com um levantamento feito pela organização Médicos Sem Fronteiras em julho, uma a cada quatro crianças nos locais que abrigam a população deslocada sofre de desnutrição severa.
Desde 2024, o governo da capital, Mogadíscio, busca ampliar seus poderes na relação com as regiões administrativas do país. Para isso, foram promovidas alterações constitucionais, que incluem a extensão do mandato presidencial, mais concentração de poder nas mãos do Executivo, alterações no calendário eleitoral e maior influência federal sobre as eleições estaduais.
Essas medidas fizeram com que Abdiaziz Hassan Mohamed Laftagareen, então presidente do Estado do Sudoeste, onde fica Badoa, rompesse com o governo federal em março. Na ocasião, ele renunciou ao cargo e tropas de Mogadíscio tomaram a cidade, que funciona como sede administrativa da região. No entanto, rebeldes que permaneceram fiéis ao antigo governante e iniciaram uma resistência armada.
O cenário de instabilidade política, que também afeta as outras 17 regiões do país, é agravado pela insurreição armada do grupo fundamentalista islâmico Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda. Há duas décadas a facção imprime uma luta armada com o objetivo de derrubar o governo somali e instaurar no país sua própria versão rigorosa da lei islâmica.
Somália: confrontos entre governo e rebeldes matam dezenasPaís enfrenta crise com deslocamento forçado da população e fome agravada por conflitos armadosMundo2026-08-17T19:25:26.363ZConfrontos entre tropas do governo federal da Somália e forças de oposição deixaram dezenas de mortos na cidade de Baidoa, na região sudoeste do país, nesta segunda-feira (17). A informação foi divulgada pelo Ministério da Defesa somali. Moradores locais ouvidos pela agência de notícia Reuters afirmam que os embates ocorridos no centro da cidade, uma das mais populosas do país, são os mais violentos desde março. "Vi 10 pessoas mortas, incluindo quatro civis e seis soldados de ambos os grupos", disse Farah Ibrahim. O confronto armado agrava a delicada situação humanitária na região, que abriga centenas de milhares de pessoas deslocadas por conta desse e de outros conflitos. De acordo com um levantamento feito pela organização Médicos Sem Fronteiras em julho, uma a cada quatro crianças nos locais que abrigam a população deslocada sofre de desnutrição severa. Desde 2024, o governo da capital, Mogadíscio, busca ampliar seus poderes na relação com as regiões administrativas do país. Para isso, foram promovidas alterações constitucionais, que incluem a extensão do mandato presidencial, mais concentração de poder nas mãos do Executivo, alterações no calendário eleitoral e maior influência federal sobre as eleições estaduais. Essas medidas fizeram com que Abdiaziz Hassan Mohamed Laftagareen, então presidente do Estado do Sudoeste, onde fica Badoa, rompesse com o governo federal em março. Na ocasião, ele renunciou ao cargo e tropas de Mogadíscio tomaram a cidade, que funciona como sede administrativa da região. No entanto, rebeldes que permaneceram fiéis ao antigo governante e iniciaram uma resistência armada. O cenário de instabilidade política, que também afeta as outras 17 regiões do país, é agravado pela insurreição armada do grupo fundamentalista islâmico Al-Shabaab, ligado à Al-Qaeda. Há duas décadas a facção imprime uma luta armada com o objetivo de derrubar o governo somali e instaurar no país sua própria versão rigorosa da lei islâmica.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/somalia-confrontos-entre-governo-e-rebeldes-matam-dezenas