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Saiba por que tripulação da missão Artemis II teve o contato interrompido com a Terra

Astronautas viveram 'apagão' de 40 minutos ao cruzar o lado oculto da Lua, fenômeno esperado e explicado pela rotação sincronizada do satélite

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Cápsula Orion da missão Artemis II atinge sua maior distância da Terra | Foto: Nasa/Handout via Reuters - 06.04.2026
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A tripulação da missão Atemis II, da Nasa, a agência espacial norte-americana, teve o contato interrompido com a Terra por cerca de 40 minutos nesta segunda-feira (6). Isso porque os astronautas, que viajam a bordo da cápsula Orion rumo à Lua, passaram pelo chamado "lado oculto da Lua".

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Segundo astrônomos ouvidos pelo SBT News, o "lado oculto da Lua" é assim chamado porque não é possível vê-lo a partir da Terra. O fenômeno ocorre porque, ao longo da evolução do Sistema Solar, em particular do Sistema Terra-Lua, esses corpos atingiram uma rotação sincronizada.

A Lua apresenta dois movimentos principais: a translação ao redor da Terra e a rotação em torno do próprio eixo. Como esses movimentos são sincronizados, o satélite completa uma volta em si mesma ao mesmo tempo em que orbita a Terra: 27,3 dias. Por isso, observa-se sempre a mesma face da Lua.

A perda de comunicação ocorre porque a própria Lua bloqueia as ondas de rádio. Quando a nave passa por sua face oculta, perde a linha direta de contato com a Terra. Como essas ondas eletromagnéticas se propagam em linha reta, não conseguem contornar o satélite, interrompendo o sinal.

"É uma situação normal, já prevista e registrada em missões anteriores", explica o astrônomo Filipe Monteiro, pesquisador do Observatório Nacional. "Hoje, essa perda de contato é inevitável, pois não há satélites de retransmissão permanentes na órbita da Lua para redirecionar os sinais entre a espaçonave e a Terra."
"É semelhante ao que ocorre ao ouvir o rádio durante uma viagem de carro: o sinal varia conforme o relevo", acrescenta o astrônomo Fabricio Colvero, idealizador do Bate Papo Astronômico. "Como a comunicação depende de ondas de rádio, que não atravessam objetos grandes e densos como a Lua, o contato é interrompido quando a cápsula passa por trás do satélite."

Fabrício ressalta ainda que um equívoco comum é chamar de "lado escuro da Lua" a face do satélite que não se vê a partir da Terra. Na verdade, o termo correto é "face oculta". Durante fases como a Lua nova, por exemplo, ela pode estar completamente iluminada, embora permaneça invisível para observadores na Terra.

Depois do previsto apagão, a cápsula Orion atingiu, por volta das 20h02, (horário de Brasília) seu ponto máximo de afastamento: 406.6 mil km da Terra. Após fazer história, a tripulação iniciou a trajetória de retorno à Terra e está prevista para voltar para casa em 10 de abril,, encerrando uma viagem de dez dias.

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