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Quem é Maria Corina Machado, a venezuelana que ganhou o Prêmio Nobel da Paz

Líder opositora foi reconhecida por promover direitos democráticos e enfrentar o regime de Nicolás Maduro

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Reuters
10/10/2025, 13:56 • Atualizado em 10/10/2025, 13:56
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María Corina Machado em protesto na Venezuela | Reprodução/X/Twitter

María Corina Machado em protesto na Venezuela | Reprodução/X/Twitter

A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, ganhou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira por promover os direitos democráticos em seu país e por sua luta para conseguir uma transição para a democracia, informou o Comitê Norueguês do Nobel.

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A seguir, alguns fatos sobre a ativista da democracia:

Histórico

Maria Corina Machado, de 58 anos, nasceu em Caracas em 7 de outubro de 1967. Ela é engenheira industrial por formação, e seu pai foi um importante empresário do setor siderúrgico da Venezuela. Suas raízes de classe alta a tornaram alvo de críticas do partido socialista que governa a Venezuela.

Quando ela se escondeu?

Machado obteve uma vitória retumbante nas eleições primárias da oposição em 2023 e seus comícios atraíram grandes multidões, mas uma proibição de ocupar cargos públicos a impediu de concorrer à Presidência contra Nicolás Maduro em uma eleição em 2024, e então ela se escondeu.

A autoridade eleitoral e o Supremo Tribunal da Venezuela afirmam que Maduro, cujo mandato tem sido marcado por uma profunda crise econômica e social, venceu a eleição, embora nunca tenham publicado os resultados detalhados.

Machado saiu da clandestinidade para fazer uma breve aparição durante um protesto antes da posse de Maduro em janeiro. Ela foi presa por um breve período e depois libertada.

Despertar Político

Em 2002, enquanto trabalhava em uma fabricante de aço e vergalhões de propriedade de sua família, ela fundou um grupo chamado Sumate, inicialmente focado no monitoramento de votos, mas que evoluiu para um importante grupo de oposição ao longo do tempo.

Em 2012, dois anos depois que a empresa de sua família foi expropriada pelo governo de Hugo Chávez, ela foi candidata pela primeira vez em uma primária da oposição para concorrer contra Chávez, em uma disputa que acabou sendo vencida por Henrique Capriles.

Em 2023, ela embarcou em uma nova candidatura presidencial, alimentada por eventos de campanha modestos, principalmente em cidades menores, mas que acabaram por impulsioná-la à vitória nas primárias do partido, conquistando mais de 2 milhões de votos.

Sua campanha, realizada de carro ou às vezes a pé, com recursos limitados, aproximou-a de seus apoiadores, mesmo quando a proibição governamental de sua candidatura forçou o partido a passar a tocha para o aliado Edmundo González, um ex-diplomata e acadêmico pouco conhecido.

Proximidade com companheiros

González, atualmente exilado em Madri, compartilhou um vídeo nas redes sociais em que pôde ser visto conversando com Machado e comemorando o Prêmio Nobel.

"Estou em choque. Não posso acreditar nisso... Meu Deus!", Machado pode ser ouvida dizendo através de seu telefone celular.

González, que buscou refúgio diplomático e se mudou para a Espanha em setembro de 2024 após alegar que poderia ser preso ou torturado se ficasse na Venezuela, procurou manter um relacionamento próximo com Machado. Ela disse que eles frequentemente conversam sobre a "luta pela liberdade".

González foi amplamente considerado o vencedor da eleição presidencial de 2024, mas o governo de Maduro o declarou reeleito e ele permaneceu no poder. Vários países não reconhecem o governo de Maduro como legítimo, inclusive os Estados Unidos e a União Europeia.

Reformas econômicas liberais

Machado defende reformas econômicas liberais, incluindo a privatização de empresas estatais, como a petroleira PDVSA. Ela também apoia a criação de programas de bem-estar social destinados a ajudar os cidadãos mais pobres do país.

Luta coletiva

"Espero que entendam que este é um movimento, uma conquista de toda a sociedade", disse Machado em uma ligação em que foi informada oficialmente de que havia ganhado o Nobel da Paz.

Embora às vezes criticada por ser teimosa -- até mesmo por sua própria mãe -- Machado raramente fala sobre si mesma em público. Em vez disso, ela apresenta sua campanha como uma luta coletiva por redenção e unidade, com o objetivo de inspirar esperança entre os venezuelanos cansados das dificuldades econômicas e da decadência social.

Seu ativismo político teve um custo, deixando-a isolada, já que quase todos os seus assessores mais próximos foram detidos ou forçados a deixar o país. A própria Machado acusou o governo de Maduro de operar como uma "máfia criminosa".

(Por Timothy Heritage, Aida Pelaez-Fernandez e Redação da Venezuela)

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