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Pussy Riot: banda de punk rock é declarada 'grupo extremista' pelo governo russo

Grupo feminino está proibido de exercer suas atividades sob risco de processo criminal

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Ana Medeiros
15/12/2025, 16:40 • Atualizado em 15/12/2025, 16:55
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Integrantes estão exiladas desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. | Reprodução/Redes sociais

Integrantes estão exiladas desde o início da guerra entre Rússia e Ucrânia. | Reprodução/Redes sociais

A banda russa de punk rock "Pussy Riot" foi oficialmente declarada organização extremista nesta segunda-feira (15) pelo Tribunal Distrital de Tverskoy, em Moscou, e está proibida de exercer suas atividades, sob risco de processo criminal. A decisão, no entanto, não muda muito o cenário atual, já que as integrantes estão exiladas desde 2022, quando se iniciou a guerra entre Rússia e Ucrânia, e fazem parte da lista de procurados pelas autoridades russas.

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O grupo feminino é alvo de represálias por criticar publicamente o governo de Vladimir Putin desde 2012. Neste mesmo ano, após protestarem contra o presidente e a Igreja Ortodoxa Russa dentro da Catedral de Cristo Salvador, em Moscou, as integrantes Nadya Tolokonnikova, Maria Alyokhina e Kat Samutsevich foram condenadas a 13 anos de prisão — sendo condicionadas a anistia e libertadas em 2013.

A banda também se coloca como apoiadora da Ucrânia, no que declara "escolher a verdade e a liberdade em vez de mentiras, hipocrisia e terror".

Com o título de grupo extremista dado pela Rússia, o Pussy Riot foi colocado na mesma categoria que o Azov — unidade militar ucraniana de direita —, o movimento LGBT+, as Testemunhas de Jeová, os tártaros da Crimeia e a Fundação Anticorrupção de Navalny.

Nas redes sociais, o coletivo se manifestou contra a decisão:

"Cantar nas ruas não é extremismo. Fazer ações de rua não é extremismo. Extremismo é invadir outros países e cometer crimes de guerra.", declarou o grupo.

Em julho de 2018, durante a final da Copa do Mundo da FIFA, em Moscou, quatro integrantes invadiram o campo e interromperam a partida em protesto contra a brutalidade policial e o clima político na Rússia. As ativistas foram retiradas do local por agentes de segurança.

Performance de 2011 da banda realizada em catedral pedia à Virgem Maria que “expulsasse Putin” e “se tornasse feminista”. | Reprodução
Performance de 2011 da banda realizada em catedral pedia à Virgem Maria que “expulsasse Putin” e “se tornasse feminista”. | Reprodução

Pussy Riot

O Pussy Riot foi formado em 2011 por Nadya Tolokonnikova e Kat Samutsevich, que haviam saído há pouco tempo do grupo radical de arte de rua "Voina". Após o anúncio de que Putin concorreria à presidência naquele ano, as ativistas, "preocupadas com o encolhimento da liberdade de expressão e a corrupção política" e uma possível fraude eleitoral no país, criaram o que chamam de “banda de rua punk-feminista militante” para mobilizar contra o governo e abordar temas como direitos das mulheres e da população LGBT+.

A primeira música divulgada se chama “Free the Cobblestones" ("Libertem os paralelepípedos"), lançada em novembro de 2011, no aniversário de 20 anos do fim da Revolução Russa (1917-1991), e foi apresentada em ônibus e vagões de metrô em protesto contra as eleições que se aproximavam.

Elas também lançaram as músicas “Kropotkin-Vodka”, “Death to Prison" ("Morte às Prisões"), "Freedom to Protest” ("Liberdade para Protestar"), “Putin’s Pissed Himself” ("Putin se mijou") e “Punk Prayer” ("Oração Punk"), cuja performance na Catedral de Cristo Salvador viralizou no YouTube e levou à prisão de três integrantes.

Segundo o Pussy Riot, o coletivo funciona com membros rotativos. “Qualquer pessoa pode ser Pussy Riot ao colocar uma máscara e realizar um protesto contra a injustiça", afirma o site oficial.

Elas também atuam em outros projetos com foco em direitos humanos, ativismo artístico e causas feministas, tanto na Rússia quanto internacionalmente. Um exemplo é o Zona Prava, fundado em 2014 por Nadya e Masha Alekhina, que protesta pela reforma do sistema prisional.

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