Protestos estudantis: França tem dia de maior mobilização
Primeiro-ministro, Sébastien Lecornu planeja apresentar propostas para atender às principais reivindicações dos manifestantes
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André de Sena, com informações da Reuters
Estudantes participam de manifestação em Nantes, França | Stephane Mahe/Reuters
A França viveu nesta terça-feira (6) o dia de maior mobilização desde que os protestos estudantis tiveram início, há pouco mais de duas semanas. Alunos, pais e professores foram às ruas. Houve confrontos entre manifestantes e a polícia.
Em cidades como Marselha e Nantes foram exibidos cartazes com frases como “O Estado matou a educação nacional”.
De acordo com a União dos Estudantes do Ensino Médio, mais da metade das escolas francesas de Ensino Médio estavam bloqueadas ou fechariam durante o dia. Algumas autoridades educacionais locais tentaram transferir as aulas para o ambiente virtual.
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Entre as reivindicações dos adolescentes estão a contratação de mais professores e funcionários, reformas em prédios deteriorados e a adoção de uma carga horária menos puxada.
“Queremos mais recursos para o sistema educacional nacional, para que as escolas de ensino médio sejam reformadas”, disse uma aluna recém-formada no Ensino Médio, em uma manifestação em frente à prestigiada escola Henri IV, em Paris.
Em cidades como Estrasburgo, Lyon e Rennes, os protestos se tornaram violentos em alguns momentos, com manifestantes acendendo fogueiras nas ruas e atirando objetos contra a polícia, que interveio lançando gás de pimenta.
Grupos de direitos humanos, estudantes e associações de pais acusam as autoridades de utilizar força desproporcional contra menores de idade. O governo alega que pessoas de fora se apropriaram dos protestos, que se transformaram em violência urbana.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ordenou que seus ministros apresentem, até o final de outubro, propostas para atender às principais reivindicações dos estudantes, como a contratação de mais professores e a adoção de intervalos mais longos para almoço. O governo também prometeu avaliar os reparos necessários nos prédios escolares antigos.
Mesmo assim, os manifestantes seguem descontentes. “Tudo isso é muito bom, mas não é isso que vai mudar o dia a dia dos nossos filhos”, afirmou a mãe Emilie Lhomme, durante um protesto em frente à escola Helene Boucher, em Paris.
O governo pode ter dificuldades na tentativa de providenciar recursos financeiros para atender às reivindicações dos estudantes, pois o déficit orçamentário da França tem crescido. Por conta das preocupações dos investidores com o aumento da dívida francesa, o rendimento dos títulos da dívida atingiram a maior alta em 24 anos na semana passada, ultrapassando 5%.
Existe o temor de que a situação financeira da França cause uma desvalorização do euro. O ministro das Finanças, Roland Lescure, afirmou que não há necessidade de intervenção do Banco Central Europeu.
Faltam menos de seis meses para as eleições presidenciais francesas, marcadas para o dia 18 de abril.
As pesquisas de intenção de voto estão sendo lideradas pela representante da extrema direita francesa, Marine Le Pen, que apresentou planos para cortar gastos públicos caso seja eleita, buscando estabelecer sua credibilidade fiscal à medida que a crise no mercado de títulos se agrava.
Protestos estudantis: França tem dia de maior mobilizaçãoPrimeiro-ministro, Sébastien Lecornu planeja apresentar propostas para atender às principais reivindicações dos manifestantesMundo2026-10-06T17:46:27.220ZA França viveu nesta terça-feira (6) o dia de maior mobilização desde que os protestos estudantis tiveram início, há pouco mais de duas semanas. Alunos, pais e professores foram às ruas. Houve confrontos entre manifestantes e a polícia. Em cidades como Marselha e Nantes foram exibidos cartazes com frases como “O Estado matou a educação nacional”. De acordo com a União dos Estudantes do Ensino Médio, mais da metade das escolas francesas de Ensino Médio estavam bloqueadas ou fechariam durante o dia. Algumas autoridades educacionais locais tentaram transferir as aulas para o ambiente virtual. Entre as reivindicações dos adolescentes estão a contratação de mais professores e funcionários, reformas em prédios deteriorados e a adoção de uma carga horária menos puxada. “Queremos mais recursos para o sistema educacional nacional, para que as escolas de ensino médio sejam reformadas”, disse uma aluna recém-formada no Ensino Médio, em uma manifestação em frente à prestigiada escola Henri IV, em Paris. Em cidades como Estrasburgo, Lyon e Rennes, os protestos se tornaram violentos em alguns momentos, com manifestantes acendendo fogueiras nas ruas e atirando objetos contra a polícia, que interveio lançando gás de pimenta. Grupos de direitos humanos, estudantes e associações de pais acusam as autoridades de utilizar força desproporcional contra menores de idade. O governo alega que pessoas de fora se apropriaram dos protestos, que se transformaram em violência urbana. Resposta do primeiro-ministro O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, ordenou que seus ministros apresentem, até o final de outubro, propostas para atender às principais reivindicações dos estudantes, como a contratação de mais professores e a adoção de intervalos mais longos para almoço. O governo também prometeu avaliar os reparos necessários nos prédios escolares antigos. Mesmo assim, os manifestantes seguem descontentes. “Tudo isso é muito bom, mas não é isso que vai mudar o dia a dia dos nossos filhos”, afirmou a mãe Emilie Lhomme, durante um protesto em frente à escola Helene Boucher, em Paris. O governo pode ter dificuldades na tentativa de providenciar recursos financeiros para atender às reivindicações dos estudantes, pois o déficit orçamentário da França tem crescido. Por conta das preocupações dos investidores com o aumento da dívida francesa, o rendimento dos títulos da dívida atingiram a maior alta em 24 anos na semana passada, ultrapassando 5%. Existe o temor de que a situação financeira da França cause uma desvalorização do euro. O ministro das Finanças, Roland Lescure, afirmou que não há necessidade de intervenção do Banco Central Europeu. Faltam menos de seis meses para as eleições presidenciais francesas, marcadas para o dia 18 de abril. As pesquisas de intenção de voto estão sendo lideradas pela representante da extrema direita francesa, Marine Le Pen, que apresentou planos para cortar gastos públicos caso seja eleita, buscando estabelecer sua credibilidade fiscal à medida que a crise no mercado de títulos se agrava.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/protestos-estudantis-franca-tem-dia-de-maior-mobilizacao
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