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Estudantes entram em confronto com a polícia na França

Alunos do Ensino Médio protestam por mais investimentos na educação; uma a cada dez escolas do país está bloqueada pelos manifestantes

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André de Sena, com informações da Reuters
Policiais se posicionam do lado de fora do colégio Lycée Deodat-de-Severac, na França | Nacho Doce/Reuters

Policiais se posicionam do lado de fora do colégio Lycée Deodat-de-Severac, na França | Nacho Doce/Reuters

Na França, policiais entraram em confronto com estudantes de Ensino Médio que protestam por melhores condições na educação. Por conta dos distúrbios, quatrocentas escolas secundárias - uma em cada dez no país - permaneceram fechadas nesta sexta-feira (2).

As manifestações tiveram início há aproximadamente duas semanas. O estopim foi uma greve de professores do liceu Saint-Exupéry, na comuna de Créteil, nos arredores de Paris. Eles denunciavam falta de pessoal. No dia seguinte, cerca de 200 estudantes bloquearam a escola em apoio aos docentes.

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Nessa sexta-feira (2), gás lacrimogêneo cobriu as ruas na cidade de Estrasburgo, no leste do país; fogos de artifício foram lançados contra as fileiras da polícia em Marselha, no sul; e lixeiras foram incendiadas em Rennes, no oeste. Também houve confrontos em cidades como Nantes, Tolouse, Lyon e Paris. Na capital, estudantes exibiam cartazes com os dizeres: “Temos um futuro para construir, não para suportar."

Os manifestantes demonstram descontentamento com o aumento abaixo da inflação previsto para as verbas da educação no orçamento de 2027. O reajuste definido pelo governo do presidente Emmanuel Macron, que enfrenta um cenário de desequilíbrio nas contas públicas, deve ser de 1,7%.

Entre as reivindicações dos adolescentes estão a contratação de mais professores e funcionários, reformas em prédios deteriorados e a adoção de uma carga horária menos puxada. "Somos 35 alunos por turma, não temos cadeiras suficientes nas salas de aula, o intervalo de uma hora para o almoço é muito curto para que todos consigam comer", disse a estudante Kesia, de 15 anos, que participa dos protestos no subúrbio parisiense de Pantin.

Macron reconheceu que as preocupações dos jovens são legítimas, mas argumentou que elas não justificam episódios de violência ou ataques contra policiais e professores. "As escolas existem para permanecer abertas e compartilhar conhecimento. Não foram feitas para serem bloqueadas ou para terem lixeiras incendiadas", disse durante sua visita à Espanha.

O Ministro da Educação, Edouard Geffray, pediu que os pais impedissem seu filhos de participar das manifestações. "Nas ruas, as crianças estão em perigo", disse em entrevista à emissora BFM TV.

O ministro da Justiça, Gerald Darmanin, disse à rádio RTL que cerca de 2 mil pessoas foram detidas pela polícia desde o início dos protestos, a maioria adolescentes. Ele tenta encontrar uma forma de obrigar os pais dos adolescentes que causaram danos a pagar indenizações.

O governo francês acusa o partido de extrema-esquerda França Insubmissa (LFI) de incitar os estudantes a cometerem atos violentos. Parlamentares da sigla rejeitaram as acusações e acusam o governo de politizar as manifestações a menos de seis meses da eleição presidencial, na qual Macron, de centro-direita, pode ser substituído. A votação está marcada para 18 de abril.

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