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Procurador boliviano é preso após EUA revogarem visto

Roger Mariaca foi acusado de aceitar suborno para facilitar o tráfico de drogas e ajudar criminosos violentos a escapar da Justiça; defesa nega

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André de Sena, com informações da Reuters
Bandeira dos Estados Unidos | Reprodução

Bandeira dos Estados Unidos | Reprodução

O procurador-geral da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na quarta-feira (30), dois dias depois de os Estados Unidos revogarem seu visto e acusarem-no de aceitar subornos para facilitar o tráfico de drogas. A informação foi divulgada pelo ministro do Governo boliviano, Marco Antonio Oviedo, somente nesta quinta-feira (1°).

"Detivemos 14 pessoas, 4 delas são autoridades do alto escalão da Procuradoria-Geral, das Procuradorias de Santa Cruz e de La Paz. Também detivemos 4 pessoas que estavam retirando grandes quantias de dinheiro da casa de Roger Mariaca em uma ambulância, na madrugada de hoje", disse Oviedo em uma coletiva de imprensa.

O ministro também afirmou que essas prisões buscam combater uma organização criminosa infiltrada no judiciário e no Ministério Público da Bolívia.

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A prisão de Mariaca ocorreu no mesmo dia em que circulou na imprensa boliviana um vídeo supostamente gravado no dia em que o narcotraficante uruguaio Sebastián Marset foi preso pelas autoridades bolivianas. Ele aparece em sua residência afirmando que Mariaca é seu amigo e que teria pago US$ 500 mil ao procurador-geral para permanecer na Bolívia praticando atividades ilegais. A veracidade do vídeo não foi confirmada.

A captura de Marset ocorreu em março na Bolívia. Posteriormente, o narcotraficante foi transferido para os Estados Unidos, onde aguarda julgamento.

Na segunda-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sancionou 27 autoridades e ex-autoridades de quatro países da América Latina: Bolívia, Colômbia, Equador e Peru. Mariaca foi uma delas. Segundo Washington, ao aceitar os subornos, o boliviano ajudava "criminosos violentos a escapar da Justiça."

Sua defesa nega as acusações, classificando a decisão da Casa Branca como uma interferência política em investigações supervisionadas pelo procurador-geral.

Mariaca foi detido no Aeroporto Internacional Viru Viru, na cidade de Santa Cruz. Após a prisão, houve uma transmissão ao vivo nas redes sociais da Procuradoria-Geral da República, na qual um dos funcionários descreveu a situação como um "sequestro".

Escudo das Américas

A prisão de Mariaca ocorre em um momento no qual as relações entre Bolívia e Estados Unidos apresentam melhorias após anos marcados por tensão. O recém-eleito presidente Rodrigo Paz, que assumiu o governo em novembro de 2025, aceitou o convite da Casa Branca para ingressar no Escudo das Américas, iniciativa encabeçada por Washington para combater o crime transnacional, principalmente o narcotráfico.

Atualmente, quinze países alinhados a Washington ideologicamente são membros da coalizão. Além de Bolívia e Estados Unidos, entre os participantes estão nações como Argentina, Chile, Colômbia, El Salvador, Equador e Peru.

Em setembro, os integrantes do grupo assinaram um acordo para classificar formalmente facções do narcotráfico como “ameaças compartilhadas” e colocar em prática medidas coordenadas contra esses grupos. Entre os 24 alvos citados no documento estão o PCC e o Comando Vermelho, organizações criminosas brasileiras, embora o Brasil não tenha aderido ao Escudo das Américas.

Também em setembro, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhou um relatório para o governo federal e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que alerta para o “risco crítico” de interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras.

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