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Político polonês quer deportar brasileiras que votaram no PT

Dominik Tarczyński também pediu votos para Flávio Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial

A
André de Sena
Eurodeputado polonês de extrema direita, Dominik Tarczyński, junto dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro | Reprodução/Redes sociais

Eurodeputado polonês de extrema direita, Dominik Tarczyński, junto dos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro | Reprodução/Redes sociais

O político polonês de extrema-direita Dominik Tarczyński defendeu nesta segunda-feira (5) a deportação de brasileiras que vivem na Polônia e votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno da eleição presidencial. Como mostrou a coluna de Renato Machado no SBT News, as mulheres viralizaram nas redes sociais após publicarem uma foto fazendo o símbolo do “L” com as mãos. Uma delas usava um broche com uma estrela vermelha do PT.

Na mesma publicação, Tarczyński pediu votos para Flávio Bolsonaro (PL), adversário de Lula no segundo turno. O eurodeputado já havia feito outra postagem pedindo informações sobre as duas brasileiras, que moram na Polônia e compareceram ao consulado brasileiro para votar no petista.

Tarczyński, que integra o Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, indicou na publicação que quer a deportação de uma das brasileiras. A reportagem não vai identificar nenhuma das duas.

“Eu mesmo vou ajudá-la a fazer as malas antes da deportação dela. Promover o comunismo na Polônia é constitucionalmente proibido!”, escreveu em sua conta no Instagram. “Livrem-se dos comunistas no Brasil, assim como fizemos na Polônia. Votem no Flavio”, completou.

Na publicação, há uma imagem produzida com inteligência artificial em que uma das mulheres aparece de malas prontas para voltar ao Brasil. Na ilustração, também é possível ler a frase “de volta para a minha Terra”.

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Engajamento

A postagem tem mais de 1,2 milhão de curtidas, 119 mil reposts e 175 mil comentários. Muitos deles foram feitos por usuários brasileiros.

“Pra cá não, mande pra Cuba”, escreveu uma internauta. “Manda de preferência pro Nordeste”, afirmou outro usuário. O Nordeste foi a única das cinco regiões brasileiras onde Lula teve mais votos que Flávio.

A legislação polonesa não permite o uso de adereços que possam fazer apologia a regimes totalitários, como nazismo e comunismo. Apesar de a estrela guardar semelhança com o símbolo da extinta União Soviética, as inscrições no broche deixam claro que se trata do partido brasileiro.

Procurado pelo SBT News, o Itamaraty afirmou que a Embaixada do Brasil em Varsóvia foi notificada da situação pelas próprias brasileiras. Segundo a pasta, o setor consular se colocou à disposição para prestar assistência às cidadãs, caso seja solicitado.

O ministério explicou que o atendimento consular ocorre a partir do contato do cidadão interessado ou, dependendo do caso, de sua família. A pasta acrescentou que a atuação consular brasileira segue a legislação nacional e internacional.

A reportagem também enviou uma mensagem para Tarczyński na mesma rede social em que o post foi feito, mas não recebeu retorno. O espaço segue aberto.

Um dia antes da publicação contra as eleitoras brasileiras, Tarczyński publicou uma foto em que aparece ao lado de Eduardo Bolsonaro e Flávio Bolsonaro, parabenizando o candidato do PL pela vantagem obtida no primeiro turno da eleição.

“Parabéns pela vitória na primeira rodada! O Brasil em breve estará livre dos comunistas”, escreveu.

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