Paraguai pede volta da Venezuela ao Mercosul após 10 anos
Presidente Santiago Peña pediu reintegração em Assembleia Geral da ONU

Presidente do Paraguai, Santiago Peña, na ONU | Reprodução/redes sociais
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, pediu nesta quarta-feira (23) a reintegração da Venezuela ao bloco comercial sul-americano Mercosul, na Assembleia Geral da ONU.
A Venezuela foi suspensa em 2016 por tempo indeterminado. Na época, a alegação era de que o regime de Nicolás Maduro descumpria normas do bloco por não ser uma democracia.
“Quero, queremos, uma transição com instituições, com segurança, com uma economia e com um povo novamente integrado à comunidade internacional e à nossa região, integrado ao Mercosul. (...) Vamos nos unir para ajudar a Venezuela, esse belo país, a se reintegrar ao mundo e alcançar um governo democrático que respeite os direitos humanos.”
No discurso, Peña relembrou a viagem que fez a Caracas, há poucos dias.
“O Paraguai abriu um canal de diálogo com as autoridades venezuelanas e já está tomando medidas em direção a uma Venezuela na qual o poder pertença ao seu único e verdadeiro soberano: o povo venezuelano. (...) Não podemos esperar que os Estados Unidos ou alguma potência do Norte resolvam nossos problemas.”
O presidente paraguaio disse que essa iniciativa também é válida para Nicarágua, Cuba e Haiti, países vizinhos que vivem situações de instabilidade socioeconômica.
No contexto dessa parceria com o governo de Delcy Rodrigues, Peña ainda citou o combate ao crime organizado. Na terça-feira (22), o Paraguai foi um dos 14 países latino-americanos que assinaram uma declaração conjunta com os EUA para sancionar facções transnacionais da região e categorizá-las como narcoterroristas.
"Conversar é uma forma de estar ao lado do povo venezuelano. Também é uma forma de combater conjuntamente o crime transnacional, que não conhece fronteiras e prejudica toda a nossa região."
Peña também defendeu a “participação plena e significativa da República da China, Taiwan, nas Nações Unidas e em suas agências especializadas”.
Seguindo os passos de outros líderes latino-americanos que já discursaram no evento, como Javier Milei, da Argentina, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, Peña criticou o excesso de burocracia na ONU. Em críticas específicas ao Conselho de Segurança, o líder paraguaio afirmou que ele “precisa deixar de ser uma bela fotografia do mundo como ele era em 1945.”
"O lema desta Assembleia nos desafia a restaurar a confiança, administrar as transformações e garantir que as Nações Unidas cumpram seu papel para todos. É um bom lema. Eu o apoio plenamente. Mas sejamos francos, meus queridos amigos. As pessoas não querem mais slogans. Nossos cidadãos querem soluções para seus problemas."















