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Palestinos votam em eleições locais que incluem Gaza pela 1ª vez em quase 20 anos

Baixa participação reflete crise humanitária, divisão política palestina e boicote ao grupo Hamas

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Um palestino vota durante a eleição para o conselho municipal em Al Bireh, na Cisjordânia ocupada por Israel, em 25 de abril de 2026. REUTERS/Mohammed Torokman
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Palestinos participaram neste sábado (25) de eleições municipais que, pela primeira vez em quase duas décadas, incluíram uma cidade da Faixa de Gaza. O pleito é visto como um termômetro do ambiente político em meio à guerra e às incertezas sobre o futuro de um Estado palestino.

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A votação no enclave ocorreu apenas em Deir al-Balah, no centro do território. A inclusão da cidade é tratada pela Autoridade Palestina como uma tentativa de reforçar sua legitimidade sobre a região, de onde foi expulsa pelo Hamas em 2007.

Moradores relataram à Reuters que a eleição representa um sinal de retomada institucional, apesar das dificuldades cotidianas. Ainda assim, a participação foi limitada, com 22,7% em Deir al-Balah, segundo dados oficiais. Na Cisjordânia, o comparecimento chegou a 53,4%.

Analistas avaliam que a baixa adesão em Gaza reflete a crise humanitária prolongada, com a população priorizando necessidades básicas em vez do processo político.

O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que a realização do pleito em Gaza tem valor simbólico.

"Gaza é parte inseparável do Estado da Palestina. Portanto, trabalhamos por todos os meios para garantir que as eleições ocorram em Deir al-Balah, a fim de reafirmar a unidade das duas partes do país", afirmou.

Ao todo, mais de 1 milhão de palestinos estavam aptos a votar, sendo cerca de 70 mil em Gaza. A apuração começou logo após o encerramento da votação, com resultados esperados entre sábado e domingo (26).

Impasse e crise marcam eleições

Desde o cessar-fogo com Israel mediado pelos Estados Unidos em 2025, as negociações avançaram pouco. A comunidade internacional, especialmente países europeus e árabes, defende a retomada do controle de Gaza pela Autoridade Palestina e a criação de um Estado independente que inclua Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, áreas que contam com diferentes níveis de controle de Israel.

Diplomatas ocidentais consideram que as eleições locais podem abrir caminho para um pleito nacional, o primeiro em quase 20 anos, além de impulsionar reformas institucionais.

No campo econômico, a Autoridade Palestina enfrenta dificuldades para pagar salários, agravadas pela retenção de receitas fiscais por Israel. O governo de Benjamin Netanyahu justifica a medida como resposta a pagamentos feitos a prisioneiros e familiares de mortos em confrontos.

As eleições também foram marcadas por divisões internas. O Hamas não lançou candidatos oficialmente e boicotou o pleito, mas listas associadas ao grupo participaram de forma indireta. O desempenho desses candidatos é observado como indicador do apoio popular à organização considerada terrorista pelos EUA, União Europeia e aliados.

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