Palestinos votam em eleições locais que incluem Gaza pela 1ª vez em quase 20 anos
Baixa participação reflete crise humanitária, divisão política palestina e boicote ao grupo Hamas



SBT News
com informações da Reuters
Palestinos participaram neste sábado (25) de eleições municipais que, pela primeira vez em quase duas décadas, incluíram uma cidade da Faixa de Gaza. O pleito é visto como um termômetro do ambiente político em meio à guerra e às incertezas sobre o futuro de um Estado palestino.
A votação no enclave ocorreu apenas em Deir al-Balah, no centro do território. A inclusão da cidade é tratada pela Autoridade Palestina como uma tentativa de reforçar sua legitimidade sobre a região, de onde foi expulsa pelo Hamas em 2007.
Moradores relataram à Reuters que a eleição representa um sinal de retomada institucional, apesar das dificuldades cotidianas. Ainda assim, a participação foi limitada, com 22,7% em Deir al-Balah, segundo dados oficiais. Na Cisjordânia, o comparecimento chegou a 53,4%.
Analistas avaliam que a baixa adesão em Gaza reflete a crise humanitária prolongada, com a população priorizando necessidades básicas em vez do processo político.
O presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, afirmou que a realização do pleito em Gaza tem valor simbólico.
"Gaza é parte inseparável do Estado da Palestina. Portanto, trabalhamos por todos os meios para garantir que as eleições ocorram em Deir al-Balah, a fim de reafirmar a unidade das duas partes do país", afirmou.
Ao todo, mais de 1 milhão de palestinos estavam aptos a votar, sendo cerca de 70 mil em Gaza. A apuração começou logo após o encerramento da votação, com resultados esperados entre sábado e domingo (26).
Impasse e crise marcam eleições
Desde o cessar-fogo com Israel mediado pelos Estados Unidos em 2025, as negociações avançaram pouco. A comunidade internacional, especialmente países europeus e árabes, defende a retomada do controle de Gaza pela Autoridade Palestina e a criação de um Estado independente que inclua Gaza, Jerusalém Oriental e a Cisjordânia, áreas que contam com diferentes níveis de controle de Israel.
Diplomatas ocidentais consideram que as eleições locais podem abrir caminho para um pleito nacional, o primeiro em quase 20 anos, além de impulsionar reformas institucionais.
No campo econômico, a Autoridade Palestina enfrenta dificuldades para pagar salários, agravadas pela retenção de receitas fiscais por Israel. O governo de Benjamin Netanyahu justifica a medida como resposta a pagamentos feitos a prisioneiros e familiares de mortos em confrontos.
As eleições também foram marcadas por divisões internas. O Hamas não lançou candidatos oficialmente e boicotou o pleito, mas listas associadas ao grupo participaram de forma indireta. O desempenho desses candidatos é observado como indicador do apoio popular à organização considerada terrorista pelos EUA, União Europeia e aliados.









