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ONU critica organização da COP30 em Belém em carta enviada ao Governo

Em documento obtido pelo portal Bloomberg, ONU aponta falta de ação da Polícia Federal, calor extremo e infiltrações no local do evento

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Antonio Souza
13/11/2025, 21:36 • Atualizado em 13/11/2025, 21:59
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COP30: documento aponta falhas de segurança e estrutura em evento - Reprodução

COP30: documento aponta falhas de segurança e estrutura em evento - Reprodução

A Organização das Nações Unidas (ONU) enviou uma crítica formal ao governo brasileiro por falhas de segurança e infraestrutura durante a COP30 realizada em Belém (PA).

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As informações foram divulgadas nesta quarta-feira (12) pela Bloomberg, que teve acesso a um documento assinado por Simon Stiell, secretário-executivo da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC).

Na carta, datada de 12 de novembro, Stiell afirma que policiais brasileiros não dispersaram manifestantes que estavam dentro de uma zona onde protestos são proibidos.

Segundo o documento, o gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria orientado a Polícia Federal a não intervir durante a confusão registrada na última terça-feira (11).

“Isso representa uma grave violação da estrutura de segurança estabelecida”, escreveu Stiell, acrescentando que o episódio levanta “preocupações significativas” sobre o cumprimento das obrigações do Brasil como país-sede.

A carta também menciona portas sem vigilância, falta de equipes de segurança suficientes e ausência de garantias de que as autoridades federais e estaduais responderiam rapidamente a novas invasões.

Confusão entre ativistas e seguranças

As críticas do secretário se referem ao incidente ocorrido na última terça-feira (11) quando ativistas ambientais da "Marcha Pela Saúde e Clima" tentaram invadir a área restrita da conferência, conhecida como Blue Zone.

De acordo com informações obtidas no local, o protesto começou de forma pacífica que seguiu até o limite permitido para pessoas credenciadas.

No entanto, parte dos manifestantes ultrapassou as barreiras de segurança e derrubou as portas de acesso à Blue Zone, onde circulam delegações internacionais, chefes de Estado e de governo.

Segundo as autoridades locais, a situação foi controlada rapidamente, e a segurança da COP30 foi reforçada após o episódio.

Problemas de infraestrutura

O documento também aponta falhas na estrutura física do local onde ocorre a COP30, em Belém.

Entre os principais problemas relatados estão:

  • Calor extremo e falha no ar-condicionado: delegados e participantes teriam passado mal devido à alta temperatura, já que parte dos equipamentos de climatização não estava instalada ou funcionando.
  • Infiltrações e riscos elétricos: as fortes chuvas na região provocaram entradas de água pelo teto e pelas luminárias, causando curtos e risco de choque elétrico.

Antes mesmo do início da conferência, o Brasil já vinha enfrentando críticas sobre a infraestrutura de Belém, especialmente pela escassez de hospedagem e pela falta de estrutura adequada para receber delegações internacionais.

Também houve preocupações de países mais pobres sobre a dificuldade de enviar equipes completas para o evento.

O que diz o governo brasileiro?

Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que todas as solicitações da ONU vêm sendo atendidas e destacou que a segurança da área interna do evento, a chamada Blue Zone, é de responsabilidade direta do Departamento de Segurança e Proteção das Nações Unidas (UNDSS).

Segundo o governo, o UNDSS é quem define, coordena e exige medidas de proteção dentro da área controlada pela ONU.

De acordo com o comunicado, representantes do Governo Federal, Governo do Pará e UNDSS realizaram, em 12 de novembro, uma reavaliação completa do esquema de segurança após a confusão registrada no dia anterior.

Entre as medidas adotadas após a revisão:

  • Ampliação da área intermediária entre as Zonas Azul e Verde
  • A intenção é impedir novas invasões e facilitar a prevenção de incidentes.
  • Ação conjunta da Força Nacional e da Polícia Federal
  • As corporações passaram a atuar de forma integrada nessa área de transição.
  • Fortalecimento do perímetro externo

Instalação de gradis, barreiras metálicas e estruturas de contenção adicionais em pontos considerados vulneráveis.

Essas ações foram tomadas após a ONU apontar que policiais brasileiros não dispersaram manifestantes que entraram em uma área onde protestos são proibidos.

Climatização reforçada

O governo também respondeu às queixas de participantes da COP30 sobre o calor dentro de algumas áreas da conferência.

Segundo a nota, novos aparelhos de ar-condicionado foram instalados nas tendas e unidades sprint foram adicionadas em salas onde o sistema estava falhando.

O governo brasileiro declarou ainda que todos os ajustes operacionais estão sendo discutidos e aplicados diariamente em conjunto com a UNFCCC, entidade da ONU que coordena as COPs.

Segundo a nota, ajustes constantes são “inerentes a um evento dessa dimensão”.

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