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Nova política de defesa dos EUA explica operação na Venezuela e sinaliza novo foco na América do Sul

Documento fala em nova Doutrina Monroe na gestão Trump; generais brasileiros destacam boa relação com americanos

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O presidente dos EUA, Donald Trump, durante coletiva de imprensa em seu resort Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida | Foto: Jonathan Ernst/Reuters - 03.01.2025

O ataque dos Estados Unidos à Venezuela, com a captura do ditador Nicolás Maduro, é o primeiro movimento da gestão Donald Trump em direção à sua nova Estratégia de Segurança Nacional, divulgada em novembro passado.

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O documento é a principal referência para as ações do Pentágono e, por consequência, das Forças Armadas americanas.

A estratégia divulgada pelo governo Trump deu, após décadas, seu principal destaque para o Hemisfério Ocidental, com menos ênfase à disputa militar com a China e sem dar tanto destaque ao que ocorre para lá do Atlântico.

“Queremos garantir que o Hemisfério Ocidental permaneça razoavelmente estável e bem governado o suficiente para prevenir e desencorajar a migração em massa para os Estados Unidos”, diz trecho do documento.

O foco do governo americano está na América do Sul e no Caribe. Ele diz querer atuar em cooperação com os governos no combate ao narcoterrorismo e aos cartéis e garantir que o hemisfério “permaneça livre de incursões estrangeiras hostis ou da posse de ativos estratégicos por potências externas”.

“Queremos assegurar nosso acesso contínuo a locais estratégicos fundamentais. Em outras palavras, afirmaremos e aplicaremos um ‘Corolário Trump’ à Doutrina Monroe.”

O SBT News conversou com seis oficiais-generais nesta segunda-feira (5). A percepção unânime é que a nova política de defesa dos americanos traz impactos diretos ao Brasil e à América do Sul, como os ataques à Venezuela e a expectativa pelo avanço da guerra às drogas dos EUA.

Eles avaliam que a diplomacia militar brasileira, porém, tem forte relação com os americanos —só o Exército Brasileiro tem 18 militares distribuídos em bases nos Estados Unidos.

Não há, portanto, nenhum movimento que coloque em risco a posição do Brasil, do ponto de vista militar. O receio está com a vizinhança e com os impactos geopolíticos relacionados à reedição da Doutrina Monroe, cujo lema era “América para os americanos”.

Essa estratégia agressiva militar dos Estados Unidos na América do Sul não era compartilhada pelo antigo chefe-militar do Comando Sul Alvin Holsey. O comandante era o responsável pelas operações militares na América Latina e Caribe. Ele pediu demissão em outubro.

Trump substituiu Holsey por Francis Donovan, um tenente-general dos Fuzileiros Navais alinhado à política militar de Trump e do secretário de Defesa, Pete Hegseth.

O que esperar da relação da América do Sul com os Estados Unidos? Segundo os oficiais-generais ouvidos, o fortalecimento da cooperação militar, a tutela da Venezuela e um possível avanço na guerra às drogas contra Colômbia e Peru.

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