Militares israelenses retiram 1,2 mil palestinos de casas
Residências, lojas, fábricas e estradas foram demolidas em operação na Cisjordânia; entradas de cidades e vias estão bloqueadas
A
André de Sena, com informações da Reuters
Escavadeira israelense demole casa da onde família palestina foi expulsa na cidade de Hebrom, na Cisjordânia ocupada | Reprodução/Reuters
O Exército de Israel deu início a uma operação militar em Hebrom, na Cisjordânia ocupada, neste sábado (24), obrigando cerca de 1,2 mil pessoas a deixarem suas casas. A ação ocorre um dia após dois soldados israelenses serem mortos na cidade em um tiroteio com dois atiradores palestinos, que também perderam suas vidas no confronto.
O chefe da prefeitura de Hebrom, Yousef Zouhair Al-Jabari, afirmou que os militares demoliram lojas, fábricas, residências e estradas. Ele também disse que, além das pessoas que foram retiradas de suas casas, aproximadamente outras 1,3 mil corriam o risco de serem deslocadas à força.
Através de um comunicado, as forças israelenses afirmaram que a operação realizada nos bairros de Al-Jaladah e Ein Deir Baha, próximos ao posto de controle na entrada de Hebrom, tem como objetivo procurar militantes e armas.
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Moradores ouvidos pela agência de notícias Reuters relataram ter visto soldados marcando casas com um "X" preto após as famílias serem expulsas. Não está claro se essas construções também serão demolidas posteriormente.
De acordo com os moradores, as forças israelenses atingiram muitas pessoas que não possuem qualquer ligação com os autores do atentado que ocorreu na sexta-feira (23).
“Estamos pedindo às autoridades que nos apoiem porque não temos envolvimento algum com isso. Há crianças. Estamos isolados; não fazemos nada. Tudo isso é arbitrário”, disse Majdi Nasser, que foi expulso de sua casa.
A organização não governamental Clube dos Prisioneiros Palestinos informou que as forças israelenses prenderam cerca de 70 palestinos nos últimos dois dias. As autoridades de Tel Aviv não se pronunciaram a respeito das detenções.
A Autoridade Palestina criticou a operação desse sábado, classificando-a como uma "punição coletiva".
O chefe da prefeitura de Hebrom afirmou que a ação do governo israelense foi motivada pelas eleições parlamentares de terça-feira (27), nas quais a coalizão de direita liderada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, corre o risco de perder a maioria no Legislativo.
“Netanyahu e os ministros radicais de seu governo estão tentando conquistar o maior número possível de votos dos colonos”, disse Al-Jabari.
O primeiro-ministro israelense vem promovendo uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia, que são considerados ilegais pela ONU e pela maior parte da comunidade internacional.
A partir dessa sexta-feira, o governo de Israel também restringiu a liberdade de locomoção dos palestinos, com o bloqueio das entradas da maioria das cidades e vilas.
Yousef Mur, morador da cidade de Yatta, que fica perto de Hebrom, disse que os bloqueios o impediram de levar sua filha até Jerusalém, onde ela faz tratamento contra o câncer.
“Quando tentamos atravessar, eles lançaram granadas de efeito moral em nossa direção, e minha filha ficou assustada no caminho. Lançaram granadas de efeito moral contra as pessoas. A situação é muito difícil”, lamentou.
Militares israelenses retiram 1,2 mil palestinos de casasResidências, lojas, fábricas e estradas foram demolidas em operação na Cisjordânia; entradas de cidades e vias estão bloqueadasMundo2026-10-24T21:20:52.844ZO Exército de Israel deu início a uma operação militar em Hebrom, na Cisjordânia ocupada, neste sábado (24), obrigando cerca de 1,2 mil pessoas a deixarem suas casas. A ação ocorre um dia após dois soldados israelenses serem mortos na cidade em um tiroteio com dois atiradores palestinos, que também perderam suas vidas no confronto. O chefe da prefeitura de Hebrom, Yousef Zouhair Al-Jabari, afirmou que os militares demoliram lojas, fábricas, residências e estradas. Ele também disse que, além das pessoas que foram retiradas de suas casas, aproximadamente outras 1,3 mil corriam o risco de serem deslocadas à força. Através de um comunicado, as forças israelenses afirmaram que a operação realizada nos bairros de Al-Jaladah e Ein Deir Baha, próximos ao posto de controle na entrada de Hebrom, tem como objetivo procurar militantes e armas. Moradores ouvidos pela agência de notícias Reuters relataram ter visto soldados marcando casas com um "X" preto após as famílias serem expulsas. Não está claro se essas construções também serão demolidas posteriormente. De acordo com os moradores, as forças israelenses atingiram muitas pessoas que não possuem qualquer ligação com os autores do atentado que ocorreu na sexta-feira (23). “Estamos pedindo às autoridades que nos apoiem porque não temos envolvimento algum com isso. Há crianças. Estamos isolados; não fazemos nada. Tudo isso é arbitrário”, disse Majdi Nasser, que foi expulso de sua casa. A organização não governamental Clube dos Prisioneiros Palestinos informou que as forças israelenses prenderam cerca de 70 palestinos nos últimos dois dias. As autoridades de Tel Aviv não se pronunciaram a respeito das detenções. A Autoridade Palestina criticou a operação desse sábado, classificando-a como uma "punição coletiva". Eleições O chefe da prefeitura de Hebrom afirmou que a ação do governo israelense foi motivada pelas eleições parlamentares de terça-feira (27), nas quais a coalizão de direita liderada pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, corre o risco de perder a maioria no Legislativo. “Netanyahu e os ministros radicais de seu governo estão tentando conquistar o maior número possível de votos dos colonos”, disse Al-Jabari. O primeiro-ministro israelense vem promovendo uma rápida expansão dos assentamentos na Cisjordânia, que são considerados ilegais pela ONU e pela maior parte da comunidade internacional. A partir dessa sexta-feira, o governo de Israel também restringiu a liberdade de locomoção dos palestinos, com o bloqueio das entradas da maioria das cidades e vilas. Yousef Mur, morador da cidade de Yatta, que fica perto de Hebrom, disse que os bloqueios o impediram de levar sua filha até Jerusalém, onde ela faz tratamento contra o câncer. “Quando tentamos atravessar, eles lançaram granadas de efeito moral em nossa direção, e minha filha ficou assustada no caminho. Lançaram granadas de efeito moral contra as pessoas. A situação é muito difícil”, lamentou. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/militares-israelenses-retiram-1-2-mil-palestinos-de-casas
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