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México apresenta 20 denúncias por mortes sob custódia do ICE

Desde maio, 17 cidadãos mexicanos morreram durante operações ou sob custódia do serviço de imigração norte-americano

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Agência EFE
Policiais federais no centro de detenção Delaney Hall durante protestos, em Newark, Nova Jersey, EUA 6 de junho de 2026 | REUTERS/Caitlin Ochs

Policiais federais no centro de detenção Delaney Hall durante protestos, em Newark, Nova Jersey, EUA 6 de junho de 2026 | REUTERS/Caitlin Ochs

O governo do México apresentou 20 denúncias a procuradorias estaduais e de condados dos Estados Unidos por causa da morte de 17 cidadãos ocorrida desde maio durante operações ou sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE), em uma nova escalada de ações para exigir o esclarecimento dos casos.

Em comunicado, a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) informou nesta quarta-feira que as denúncias foram feitas em 13 de julho pelo embaixador do México nos EUA, Roberto Lazzeri, nas jurisdições onde ocorreram as mortes: oito nas procuradorias estaduais e 12 em procuradorias de condado em Arizona, Califórnia, Flórida, Geórgia, Illinois, Louisiana, Missouri e Texas.

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Além desses recursos, a embaixada do México encaminhou em 14 de julho ao Departamento de Justiça, por intermédio do Departamento de Estado, a denúncia elaborada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com a solicitação formal de abrir investigações sobre os 17 casos e informar sobre o andamento das apurações.

A chancelaria detalhou que as ações fazem parte do acompanhamento das medidas anunciadas no último dia 9 de julho pela presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, após o governo denunciar a morte de 17 cidadãos em operações ou centros de detenção do ICE desde maio.

O órgão informou que Lazzeri teve na última semana reuniões com autoridades do Departamento de Segurança Interna (DHS) e do ICE, a quem expressou a preocupação do governo mexicano com as condições nos centros de detenção, incluídos os administrados por empresas privadas, e solicitou o esclarecimento de cada uma das mortes.

O chanceler mexicano, Roberto Velasco Álvarez, enviou uma carta ao alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, para solicitar que o organismo reúna informações por meio de solicitações de esclarecimento aos EUA, analise se os fatos são compatíveis com os instrumentos internacionais de direitos humanos e emita recomendações para prevenir casos semelhantes.

A embaixada acrescentou que a rede consular mantém o acompanhamento jurídico às famílias das vítimas, além de prestar apoio para a repatriação dos corpos e outras gestões que os familiares pedirem.

As novas ações foram tomadas depois que na última sexta-feira os EUA devolveram ao governo mexicano as cartas nas quais expressava sua preocupação com as operações imigratórias e o tratamento aos seus cidadãos sob custódia do ICE.

O funcionário do Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado, Michael Kozak, argumentou que as cartas pretendiam dirigir as ações dos agentes americanos em seu território soberano e recomendou ao México expor suas preocupações por meio dos canais diplomáticos habituais.

A tensão bilateral aumentou após a morte do mexicano Lorenzo Salgado Araujo, de 52 anos, em 7 de julho em Houston, no Texas, após ser alvejado por um agente do ICE durante uma operação migratória, o que intensificou as cobranças do México sobre o tratamento aos imigrantes sob custódia das autoridades americanas.

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