Líderes europeus rebatem Trump e dizem que Groenlândia integra Otan
Carta de sete países defende soberania do território e afirma que segurança no Ártico deve respeitar direito internacional e decisões de Dinamarca e Groenlândia


Vicklin Moraes
Os governos de Espanha, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Polônia e Dinamarca manifestaram nesta terça-feira (6) apoio à soberania da Groenlândia, em reação a declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o território. Em carta conjunta, os líderes afirmam que a segurança no Ártico segue como prioridade fundamental para a Europa e é crucial para a segurança internacional e transatlântica.
O documento é assinado pelo presidente francês Emmanuel Macron, pelo chanceler alemão Friedrich Merz, pela primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, pelo primeiro-ministro polonês Donald Tusk, pelo primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer e pela primeira-ministra dinamarquesa Mette Frederiksen.
Segundo a carta, a Otan já definiu o Ártico como área prioritária e os aliados europeus vêm ampliando presença, atividades e investimentos para garantir a segurança regional e dissuadir adversários. O texto destaca que o Reino da Dinamarca, incluindo a Groenlândia, integra a aliança, tornando a segurança do Ártico uma responsabilidade coletiva.
Os líderes também afirmam ainda que a cooperação deve ocorrer em conjunto com os aliados da Otan, inclusive os Estados Unidos, respeitando os princípios da Carta da ONU, como soberania, integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras. A carta cita o acordo de defesa de 1951 entre o Reino da Dinamarca e os Estados Unidos como parte do arcabouço de segurança vigente.
"A Groenlândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Groenlândia, e somente a elas, decidir sobre assuntos que dizem respeito à Dinamarca e à Groenlândia", afirma o texto.
Trump e Groenlândia
A manifestação europeia ocorre após novas declarações de Trump nessa segunda (5) defendendo que os EUA precisam da Groenlândia por razões de segurança nacional, retomando um discurso já feito, quando sugeriu a possibilidade de aquisição do território. As falas voltaram a gerar reação imediata em capitais europeias.
O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou qualquer ideia de anexação como uma "fantasia" e reiterou que o futuro do território deve ser decidido por seus habitantes, em consonância com a Dinamarca e o direito internacional.









