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Governo dos EUA propõe exigir histórico de redes sociais de turistas isentos de visto

Nova regra afetaria visitantes de 42 países do programa ESTA; medida amplia cerco migratório do governo Trump

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Antonio Souza
11/12/2025, 02:59 • Atualizado em 11/12/2025, 02:59
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Governo dos EUA propõe exigir histórico de redes sociais de turistas isentos de visto

O governo dos EUA anunciou nesta quarta-feira (10) uma proposta que pode obrigar turistas estrangeiros, atualmente isentos de visto, a entregar históricos de redes sociais dos últimos cinco anos às autoridades americanas.

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A regra afetaria viajantes de 42 países participantes do Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA, em inglês), sistema que substitui o visto para estadias curtas.

A medida atingiria visitantes de países como Alemanha, França, Reino Unido, Japão, entre outros. Atualmente, esses turistas apenas preenchem uma solicitação online, pagam US$ 40 e recebem uma autorização válida por dois anos.

A inclusão voluntária de redes sociais existe desde 2016, mas agora passaria a ser obrigatória, tanto para nomes de usuário de redes sociais, telefones usados nos últimos cinco anos e e-mails utilizados nos últimos dez anos. Os dados inconsistentes podem resultar em negação de entrada.

A proposta amplia uma prática já aplicada a alguns requerentes de visto de países fora do ESTA, como estudantes de nações como o Brasil, que desde junho precisam fornecer seus históricos de redes sociais ao solicitarem visto americano.

O documento divulgado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) prevê que turistas também tenham de fornecer nomes, endereços e datas de nascimento de pais, cônjuges, irmãos, filhos e telefones usados por esses familiares nos últimos cinco anos.

Essas informações seriam cruzadas com bases de segurança e usadas para análise de risco migratório.

Quando a proposta pode passar a valer?

O texto foi publicado no Federal Register, o diário oficial americano, e agora passa por um período de revisão de 60 dias, no qual cidadãos, empresas e organizações podem enviar sugestões ou críticas.

Após esse período, a medida pode ser implementada pelo Departamento de Segurança Interna.

A proposta foi divulgada uma semana depois de uma orientação do Departamento de Estado, revelada pela Reuters, para negar vistos inclusive de trabalho, a estrangeiros que tenham atuado como moderadores de conteúdo, profissionais de segurança digital ou checadores de fatos.

O governo Trump alegou que essas atividades representariam “censura” e ameaçariam a “livre expressão essencial ao estilo de vida americano”.

Em julho, Washington já havia apresentado outra proposta para limitar a permanência de jornalistas estrangeiros no país.

Discurso anti-imigração de Trump

A retórica contra imigrantes tem sido uma marca da administração Trump. Em 28 de novembro, em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que interromperia “permanentemente” a entrada de cidadãos de países de “terceiro mundo”.

O comentário ocorreu um dia após um afegão ser acusado de balear dois membros da Guarda Nacional em Washington, matando um deles.

Queda no turismo preocupa o setor

O endurecimento das regras migratórias acontece enquanto o país enfrenta queda no turismo internacional.

Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), gastos de turistas estrangeiros devem cair de US$ 181 bilhões (2024) para menos de US$ 169 bilhões (2025), uma perda de US$ 12,5 bilhões.

Casos recentes de turistas detidos nos EUA, inclusive alemães que permaneceram semanas presos, geraram repercussão negativa no exterior.

Diante disso, a Alemanha atualizou, em março, suas recomendações de viagem alertando que mesmo quem tem visto ou ESTA pode ser barrado na entrada.

O país receberá a maior parte dos jogos da Copa do Mundo de 2026, organizada em conjunto com México e Canadá.

Em 2028, Los Angeles sediará os Jogos Olímpicos, eventos que devem atrair milhões de visitantes, ao mesmo tempo em que o país endurece as regras de entrada.

*Com informações da agência alemã Deutsche Welle (DW)

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