Governo dos EUA propõe exigir histórico de redes sociais de turistas isentos de visto
Nova regra afetaria visitantes de 42 países do programa ESTA; medida amplia cerco migratório do governo Trump
Antonio Souza
O governo dos EUA anunciou nesta quarta-feira (10) uma proposta que pode obrigar turistas estrangeiros, atualmente isentos de visto, a entregar históricos de redes sociais dos últimos cinco anos às autoridades americanas.
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A regra afetaria viajantes de 42 países participantes do Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA, em inglês), sistema que substitui o visto para estadias curtas.
A medida atingiria visitantes de países como Alemanha, França, Reino Unido, Japão, entre outros. Atualmente, esses turistas apenas preenchem uma solicitação online, pagam US$ 40 e recebem uma autorização válida por dois anos.
A inclusão voluntária de redes sociais existe desde 2016, mas agora passaria a ser obrigatória, tanto para nomes de usuário de redes sociais, telefones usados nos últimos cinco anos e e-mails utilizados nos últimos dez anos. Os dados inconsistentes podem resultar em negação de entrada.
A proposta amplia uma prática já aplicada a alguns requerentes de visto de países fora do ESTA, como estudantes de nações como o Brasil, que desde junho precisam fornecer seus históricos de redes sociais ao solicitarem visto americano.
O documento divulgado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) prevê que turistas também tenham de fornecer nomes, endereços e datas de nascimento de pais, cônjuges, irmãos, filhos e telefones usados por esses familiares nos últimos cinco anos.
Essas informações seriam cruzadas com bases de segurança e usadas para análise de risco migratório.
Quando a proposta pode passar a valer?
O texto foi publicado no Federal Register, o diário oficial americano, e agora passa por um período de revisão de 60 dias, no qual cidadãos, empresas e organizações podem enviar sugestões ou críticas.
Após esse período, a medida pode ser implementada pelo Departamento de Segurança Interna.
A proposta foi divulgada uma semana depois de uma orientação do Departamento de Estado, revelada pela Reuters, para negar vistos inclusive de trabalho, a estrangeiros que tenham atuado como moderadores de conteúdo, profissionais de segurança digital ou checadores de fatos.
O governo Trump alegou que essas atividades representariam “censura” e ameaçariam a “livre expressão essencial ao estilo de vida americano”.
Em julho, Washington já havia apresentado outra proposta para limitar a permanência de jornalistas estrangeiros no país.
Discurso anti-imigração de Trump
A retórica contra imigrantes tem sido uma marca da administração Trump. Em 28 de novembro, em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que interromperia “permanentemente” a entrada de cidadãos de países de “terceiro mundo”.
O comentário ocorreu um dia após um afegão ser acusado de balear dois membros da Guarda Nacional em Washington, matando um deles.
Queda no turismo preocupa o setor
O endurecimento das regras migratórias acontece enquanto o país enfrenta queda no turismo internacional.
Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), gastos de turistas estrangeiros devem cair de US$ 181 bilhões (2024) para menos de US$ 169 bilhões (2025), uma perda de US$ 12,5 bilhões.
Casos recentes de turistas detidos nos EUA, inclusive alemães que permaneceram semanas presos, geraram repercussão negativa no exterior.
Diante disso, a Alemanha atualizou, em março, suas recomendações de viagem alertando que mesmo quem tem visto ou ESTA pode ser barrado na entrada.
O país receberá a maior parte dos jogos da Copa do Mundo de 2026, organizada em conjunto com México e Canadá.
Em 2028, Los Angeles sediará os Jogos Olímpicos, eventos que devem atrair milhões de visitantes, ao mesmo tempo em que o país endurece as regras de entrada.
*Com informações da agência alemã Deutsche Welle (DW)
Governo dos EUA propõe exigir histórico de redes sociais de turistas isentos de vistoNova regra afetaria visitantes de 42 países do programa ESTA; medida amplia cerco migratório do governo TrumpMundo2025-12-11T02:59:34.731ZO governo dos EUA anunciou nesta quarta-feira (10) uma proposta que pode obrigar turistas estrangeiros, atualmente isentos de visto, a entregar históricos de redes sociais dos últimos cinco anos às autoridades americanas. A regra afetaria viajantes de 42 países participantes do Sistema Eletrônico para Autorização de Viagem (ESTA, em inglês), sistema que substitui o visto para estadias curtas. + A medida atingiria visitantes de países como Alemanha, França, Reino Unido, Japão, entre outros. Atualmente, esses turistas apenas preenchem uma solicitação online, pagam US$ 40 e recebem uma autorização válida por dois anos. A inclusão voluntária de redes sociais existe desde 2016, mas agora passaria a ser obrigatória, tanto para nomes de usuário de redes sociais, telefones usados nos últimos cinco anos e e-mails utilizados nos últimos dez anos. Os dados inconsistentes podem resultar em negação de entrada. A proposta amplia uma prática já aplicada a alguns requerentes de visto de países fora do ESTA, como estudantes de nações como o Brasil, que desde junho precisam fornecer seus históricos de redes sociais ao solicitarem visto americano. O documento divulgado pela Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) prevê que turistas também tenham de fornecer nomes, endereços e datas de nascimento de pais, cônjuges, irmãos, filhos e telefones usados por esses familiares nos últimos cinco anos. Essas informações seriam cruzadas com bases de segurança e usadas para análise de risco migratório. Quando a proposta pode passar a valer? O texto foi publicado no Federal Register, o diário oficial americano, e agora passa por um período de revisão de 60 dias, no qual cidadãos, empresas e organizações podem enviar sugestões ou críticas. Após esse período, a medida pode ser implementada pelo Departamento de Segurança Interna. + A proposta foi divulgada uma semana depois de uma orientação do Departamento de Estado, revelada pela Reuters, para negar vistos inclusive de trabalho, a estrangeiros que tenham atuado como moderadores de conteúdo, profissionais de segurança digital ou checadores de fatos. O governo Trump alegou que essas atividades representariam “censura” e ameaçariam a “livre expressão essencial ao estilo de vida americano”. Em julho, Washington já havia apresentado outra proposta para limitar a permanência de jornalistas estrangeiros no país. Discurso anti-imigração de Trump A retórica contra imigrantes tem sido uma marca da administração Trump. Em 28 de novembro, em uma publicação nas redes sociais, o presidente afirmou que interromperia “permanentemente” a . O comentário ocorreu um dia após um afegão ser acusado de balear dois membros da Guarda Nacional em Washington, matando um deles. Queda no turismo preocupa o setor O endurecimento das regras migratórias acontece enquanto o país enfrenta queda no turismo internacional. Segundo o World Travel & Tourism Council (WTTC), gastos de turistas estrangeiros devem cair de US$ 181 bilhões (2024) para menos de US$ 169 bilhões (2025), uma perda de US$ 12,5 bilhões. Casos recentes de turistas detidos nos EUA, inclusive alemães que permaneceram semanas presos, geraram repercussão negativa no exterior. Diante disso, a Alemanha atualizou, em março, suas recomendações de viagem alertando que mesmo quem tem visto ou ESTA pode ser barrado na entrada. O país receberá a maior parte dos jogos da Copa do Mundo de 2026, organizada em conjunto com México e Canadá. Em 2028, Los Angeles sediará os Jogos Olímpicos, eventos que devem atrair milhões de visitantes, ao mesmo tempo em que o país endurece as regras de entrada. *Com informações da agência alemã Deutsche Welle (DW)São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/governo-dos-eua-propoe-exigir-historico-de-redes-sociais-de-turistas-isentos-de-visto
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