Governo de Portugal vai alterar reforma trabalhista após greve geral
Entidades afirmam que medida favorece empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores; paralisação ampla é a primeira no país desde junho de 2013
Reuters
17/12/2025, 15:10 • Atualizado em 17/12/2025, 15:10
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Manifestantes contrários ao plano do governo para reformular a legislação trabalhista, em Lisboa, Portugal | 11/12/2025/Reuters/Pedro Nunes
O governo minoritário de centro-direita de Portugal afirmou que irá alterar a legislação da reforma trabalhista para acalmar os sindicatos, na sequência da primeira greve geral no país em mais de uma década.
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A proposta de revisão de mais de 100 artigos do código do trabalho é uma parte importante da agenda do governo para impulsionar a produtividade e o crescimento econômico. Os sindicatos afirmam que a medida favorece os empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores e, na semana passada, convocaram a primeira greve geral desde junho de 2013.
Após se reunir com a direção da UGT, central sindical dos trabalhadores, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, afirmou que o governo está disposto a chegar a um acordo.
"Foi uma reunião muito construtiva. Não se trata de recuar, mas sim de aproximar as posições numa negociação", disse ela aos jornalistas na noite dessa terça-feira (16).
Ramalho afirmou que a UGT também apresentaria propostas para buscar um meio-termo.
O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, disse que a reunião o deixou otimista quanto à disposição do governo em negociar. Ele considerou o encontro como um recomeço positivo rumo a um acordo.
As reformas trabalhistas preveem a flexibilização das demissões por justa causa em pequenas e médias empresas e a eliminação das restrições à terceirização. Outras medidas incluem limitar a dois anos o direito ao trabalho flexível para mães que amamentam.
Os dados do Eurostat mostram que a produtividade por hora trabalhada em Portugal corresponde a 80,5% da média da União Europeia, a quinta mais baixa do bloco de 27 nações.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que as rígidas leis trabalhistas de Portugal protegem os empregos permanentes, mas limitam a flexibilidade, empurrando trabalhadores qualificados mais jovens para contratos precários, em uma economia dominada por pequenas empresas com gestão frágil e baixos níveis de inovação.
O projeto de lei está sendo discutido entre confederações empresariais e sindicatos, uma etapa obrigatória antes de ser submetido ao parlamento.
O Chega, partido de extrema-direita e maior oposição, afirmou que poderá retirar o apoio ao projeto caso ele não seja alterado, apesar de tê-lo apoiado anteriormente.
(Reportagem de Sergio Gonçalves)
Governo de Portugal vai alterar reforma trabalhista após greve geralEntidades afirmam que medida favorece empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores; paralisação ampla é a primeira no país desde junho de 2013Mundo2025-12-17T15:10:38.153ZO governo minoritário de centro-direita de Portugal afirmou que irá alterar a legislação da reforma trabalhista para acalmar os sindicatos, na sequência da primeira greve geral no país em mais de uma década. A proposta de revisão de mais de 100 artigos do código do trabalho é uma parte importante da agenda do governo para impulsionar a produtividade e o crescimento econômico. Os sindicatos afirmam que a medida favorece os empregadores em detrimento dos direitos dos trabalhadores e, na semana passada, convocaram a primeira greve geral desde junho de 2013. Após se reunir com a direção da UGT, central sindical dos trabalhadores, a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Ramalho, afirmou que o governo está disposto a chegar a um acordo. "Foi uma reunião muito construtiva. Não se trata de recuar, mas sim de aproximar as posições numa negociação", disse ela aos jornalistas na noite dessa terça-feira (16). Ramalho afirmou que a UGT também apresentaria propostas para buscar um meio-termo. O secretário-geral da UGT, Mário Mourão, disse que a reunião o deixou otimista quanto à disposição do governo em negociar. Ele considerou o encontro como um recomeço positivo rumo a um acordo. As reformas trabalhistas preveem a flexibilização das demissões por justa causa em pequenas e médias empresas e a eliminação das restrições à terceirização. Outras medidas incluem limitar a dois anos o direito ao trabalho flexível para mães que amamentam. Produtividade inferior na UE Os dados do Eurostat mostram que a produtividade por hora trabalhada em Portugal corresponde a 80,5% da média da União Europeia, a quinta mais baixa do bloco de 27 nações. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirmou que as rígidas leis trabalhistas de Portugal protegem os empregos permanentes, mas limitam a flexibilidade, empurrando trabalhadores qualificados mais jovens para contratos precários, em uma economia dominada por pequenas empresas com gestão frágil e baixos níveis de inovação. O projeto de lei está sendo discutido entre confederações empresariais e sindicatos, uma etapa obrigatória antes de ser submetido ao parlamento. O Chega, partido de extrema-direita e maior oposição, afirmou que poderá retirar o apoio ao projeto caso ele não seja alterado, apesar de tê-lo apoiado anteriormente. (Reportagem de Sergio Gonçalves)São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/governo-de-portugal-vai-alterar-reforma-trabalhista-apos-greve-geral
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