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Fugida da Venezuela, María Corina tenta voltar após tragédia

Líder da oposição afirma que fará o necessário para retornar ao país e acusa o governo de dificultar ajuda humanitária depois de terremotos

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Caroline Vale, com informações da Reuters
María Corina Machado publica vídeo no X. | Reprodução/Redes sociais

María Corina Machado publica vídeo no X. | Reprodução/Redes sociais

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, afirmou nesta segunda-feira (29) que está determinada a retornar à Venezuela para participar dos esforços de recuperação após os terremotos que atingiram o país na última quarta-feira (24). Em vídeo publicado no X (antigo Twitter), ela acusou o governo venezuelano de impedir sua entrada ao fechar temporariamente o espaço aéreo.

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"Estou na Cidade do Panamá, de onde planejava viajar para a Venezuela. O regime fechou o espaço aéreo do nosso país para tentar me impedir", declarou.

Machado disse que decidiu voltar ao país após a tragédia para ajudar a coordenar ações de apoio às vítimas. "Meu retorno à Venezuela tornou-se urgente, para que pudéssemos enfrentar juntos essa catástrofe, como uma família faz quando um de seus membros está sofrendo", afirmou.

A oposicionista também acusou o governo de dificultar o trabalho humanitário. Segundo ela, "o regime quer impedir meu retorno à Venezuela, assim como o de muitos compatriotas que desejam ir ajudar" e "também tentou bloquear o trabalho generoso de milhares de cidadãos que distribuem alimentos e medicamentos, impediu a viagem de equipes internacionais de resgate retidas em aeroportos e procurou obstruir o trabalho de jornalistas que buscam a verdade". Para Machado, "bloquear e manipular informações em situações como essa cria ainda mais vítimas".

Ela afirmou ainda que o fechamento do espaço aéreo comercial foi revertido, mas alegou que pessoas dispostas a ajudá-la continuam sendo ameaçadas: "O regime chegou ao ponto de fechar o espaço aéreo comercial da Venezuela para me impedir de entrar. Cancelar voos de todas as companhias aéreas durante uma emergência é absolutamente inconcebível. Eles tiveram que reverter a decisão, mas ameaçaram aqueles que querem me ajudar a voltar."

Ao concluir a mensagem, Machado reforçou que pretende insistir no retorno. "Não se trata de mim; milhares e milhares de nós queremos ir. É um país inteiro em luto que precisa se unir para encontrar conforto. Neste momento, estou disposto a fazer o que for preciso, a falar com quem for necessário, a coordenar e servir ao nosso povo", afirmou.

Nos EUA, retorno de Machado não recebe apoio

A intenção de Machado de voltar à Venezuela também provocou reações em Washington. Segundo a agência Reuters, autoridades da Casa Branca e do Departamento de Estado pediram que ela adiasse a viagem, avaliando que este não seria o momento adequado para o retorno ao país, embora apoiem a ideia de que ela volte futuramente.

"Apoiamos o retorno dela à Venezuela, mas precisa ser 24 horas depois de uma catástrofe humanitária de grandes proporções, em que o número de mortos continua a subir?", disse um representante da Casa Branca, sob anonimato.

Corina Machado vivia escondida na Venezuela desde que reivindicou a vitória nas controversas eleições de 2024. Em dezembro, ela fugiu secretamente do país de barco para viajar a Oslo e receber o Prêmio Nobel da Paz, que posteriormente entregou ao presidente dos EUA, Donald Trump.

Os EUA capturaram o ex-presidente Nicolás Maduro em janeiro, aumentando as esperanças entre apoiadores de que Machado, de 58 anos, desempenharia um papel central na administração do país. No entanto, o presidente dos EUA, Donald Trump, apoiou Delcy Rodríguez, ex-vice de Maduro, afirmando que Machado não tinha o apoio necessário para governar o país a curto prazo.

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