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Fechamento da USAID ameaça conservação da Amazônia e subsistência de comunidades indígenas

Organização que destina valores bilionários para países em desenvolvimento em todo o mundo é alvo de Donald Trump e Elon Musk

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SBT News
11/02/2025, 14:54 • Atualizado em 11/02/2025, 14:54
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Amazônia tem 6,3 milhões de quilômetros quadrados e abarca a maior bacia hidrográfica do mundo | Agência Pará

Amazônia tem 6,3 milhões de quilômetros quadrados e abarca a maior bacia hidrográfica do mundo | Agência Pará

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de desativar a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) representa um golpe significativo para os esforços de conservação da Amazônia. A medida coloca em risco projetos ambientais e sociais financiados pela agência, especialmente os voltados à preservação da floresta e ao fortalecimento das comunidades indígenas.

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Mesmo que parte da ajuda externa possa ser retomada após a suspensão de 90 dias determinada pelo governo norte-americano, muitos beneficiários temem que seus projetos não tenham continuidade. Isso porque grande parte das iniciativas apoiadas pela USAID está focada em áreas criticadas por Trump, como mudanças climáticas, biodiversidade e direitos de minorias e mulheres.

A maior iniciativa da agência no Brasil é a Parceria para a Conservação da Biodiversidade da Amazônia, segundo a agência Associated Press. O projeto busca preservar a floresta e melhorar as condições de vida dos povos indígenas e de outras comunidades tradicionais. Cerca de dois terços da maior floresta tropical do mundo estão em território brasileiro.

Uma das organizações brasileiras mais impactadas pelo fim do financiamento da USAID é o Conselho Indígena de Roraima, que atua em 35 áreas, incluindo o território da etnia Yanomami. O apoio da agência vinha permitindo ações para aprimorar a agricultura familiar, adaptar-se às mudanças climáticas e gerar renda para mulheres indígenas em uma região vulnerável à mineração ilegal e ao tráfico de drogas.

Edinho Macuxi, tuxaua (líder) do Conselho Indígena de Roraima, destacou à AP que a falta de recursos já obrigou a organização a demitir funcionários e cancelar atividades. “A parceria com a USAID existe há sete anos. Se a decisão for encerrá-la, isso abalará nossa estrutura organizacional e projetos que são muito importantes para fortalecer a economia e a autonomia dos povos indígenas”, afirmou.

Mensagem a Trump

Macuxi também fez um apelo direto ao governo dos EUA: “Nossa mensagem ao presidente Trump é que ele deve manter os recursos não apenas para o Brasil, mas também para outros países. No Brasil, os povos indígenas que acessam esse financiamento são os que efetivamente mantêm a maior parte da floresta de pé, garantindo a vida não só para os brasileiros, mas para o mundo.”

Além disso, a reportagem da Associated Press destaca que a USAID também foi essencial para iniciativas de uso sustentável dos recursos amazônicos. Um dos projetos de maior sucesso foi a pesca manejada do pirarucu, peixe gigante nativo da região. Os fundos da agência permitiram a construção de um frigorífico para processar a pesca dentro dos limites legais, contribuindo para a recuperação da espécie e gerando renda para comunidades indígenas e ribeirinhas.

Em 2024, a USAID destinou US$ 22,6 milhões ao Brasil, sendo que mais da metade desse montante — cerca de US$ 14 milhões — foi voltado à proteção ambiental, com prioridade para a Amazônia. A floresta armazena quantidades cruciais de carbono, desempenhando um papel essencial na regulação climática global.

Com o encerramento das operações da USAID no Brasil, o futuro de diversas iniciativas ambientais e sociais fica incerto, deixando comunidades locais em situação de vulnerabilidade e ameaçando um dos ecossistemas mais importantes do planeta.

* Com informações da Associated Press

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