Mundo

O que é a USAID, agência humanitária dos EUA que Elon Musk quer fechar

Organização que destina valores bilionários para países em desenvolvimento em todo o mundo também é alvo de polêmicas; entenda

W
Wagner Lauria Jr.
Agência humanitária dos EUA pode fechar após fala de Musk | Reprodução

Agência humanitária dos EUA pode fechar após fala de Musk | Reprodução

Com quase 64 anos de existência, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID, na sigla em inglês) está sob ameaça. Funcionários foram instruídos a não comparecer à sede da organização em Washington nesta segunda-feira (3), segundo um comunicado interno. A decisão veio após o bilionário Elon Musk anunciar que o presidente Donald Trump concordou em fechar a agência.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover
"Não é uma maçã com um verme dentro. O que temos aqui é um monte de vermes. É preciso se livrar de tudo. Não há conserto. Vamos encerrar isso", disse Musk.

O que é a USAID?

A organização surgiu na gestão do então presidente John F. Kennedy, em 1961, por meio da Lei da Assistência Estrangeira, com objetivo de unificar instrumentos assistenciais dos Estados Unidos. O país vinha promovendo programas de ajuda externa desde o fim da segunda Guerra Mundial e início da Guerra Fria, com iniciativas como o plano Marshall.

Os Estados Unidos destinaram, por meio da USAID, um total de US$ 72 bilhões (quase R$ 421 bilhões, na cotação atual) em 2023. Os recursos do programa são definidos pelo Congresso dos EUA, em conjunto com o Gabinete Executivo da Presidência.

Além da ajuda humanitária, o objetivo do programa é enviar recursos para áreas de economia, agricultura, saúde de países em desenvolvimento. No entanto, é alvo de críticas, uma vez que as ajudas estão atreladas a interesses de política externa do país.

Ucrânia, Afeganistão, Etiópia, Jordânia, Cisjordânia, Somália e República Democrática do Congo estão entre os principais beneficiários humanitários do programa.

Cartaz da USAID com grafites críticos na Cisjordânia, em 2007: "Nós não precisamos de sua ajuda", em tradução livre | Wiki
Cartaz da USAID com grafites críticos na Cisjordânia, em 2007: "Nós não precisamos de sua ajuda", em tradução livre | Wiki

Relação com o Brasil

O Brasil participou de um acordo com a organização, por meio do Ministério da Educação (MEC), para implementar "convênios de assistência técnica e cooperação financeira à educação brasileira", de acordo com artigo da Unicamp.

Todos os acordos ocorreram no período da ditadura militar, e estabeleciam medidas como o ensino da língua inglesa desde a primeira série do primeiro grau (1º ano do ensino fundamental I, pela regra atual) e influenciar os sistemas de ensino básico e universitário.

Esse acordo foi alvo de críticas e elogios. As críticas eram sobre os interesses dos EUA em influir na educação brasileira no contexto da ditadura, momento histórico em que houve apoio financeiro por parte de grupos empresariais norte-americanos, segundo livro "USAID e a Educação", de José Oliveira Arapiraca, além da redução ou exclusão de matérias como história, filosofia e educação política para inserir outras como educação moral e cívica, segundo o advogado e ex-deputado federal pelo MDB na época do regime militar, Márcio Moreira Alves,

Isso ainda eliminou um ano de estudos, fazendo com que o Brasil tivesse apenas 11 níveis — o que foi modificado pelo Projeto de Lei nº 3.675/04, transformado na Lei Ordinária 11.274/2006, durante o governo Lula, que passou a abranger a classe de alfabetização com matricula obrigatória aos 6 anos e anterior à 1ª série.

Entre os elogios, estão a influência da implementação da reforma universitária em 1968 no Brasil, que estabeleceu regras para o ensino superior no Brasil e foi responsável por introduzir cursos de especialização e de extensão (pós-graduação) no país, segundo artigo publicado no Volume 17 da Revista Brasileira de História da Educação.

Polêmicas

Há rumores sobre o envolvimento da USAID em algumas medidas bastante controversas. Uma delas é o programa de esterilização involuntária no Peru, com auxílio do então presidente Alberto Fujimori, entre 1995 e 2000, segundo investigações da subcomissão do Congresso do Peru. As medidas se aplicavam especialmente contra mulheres indígenas e de baixa renda do país como uma forma de planejamento familiar.

O envolvimento da USAID é rebatida por uma outra investigação feita pela ala republicana de direita religiosa do Congresso dos EUA.

Segundo o Ministério da Saúde do Peru, nesse período 331.600 mulheres e 25.590 homens foram esterilizados.

A agência também é acusada de participar da criação de uma falsa rede social em Cuba para derrubar o governo através de uma espécie de "Primavera Cubana", em 2009. As denúncias vieram à tona após o vazamento na mídia de documentos de empresas que estavam envolvidas.

Outro ponto é em relação à tentativa de desestabilização na Venezuela, por exemplo, entre 2004 e 2006, que veio a público após divulgação de documentos do WikiLeaks que detalhavam ações do governo dos EUA na embaixada americana em território venezuelano.

Além disso, é acusada, sem provas, de "trabalhos sujos com a CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA)" em um vídeo no X (ex-Twitter) que, inclusive, foi respondido por Musk:

"USAID é uma organização criminosa", disse o bilionário.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Boa parte do país segue com tempo seco nesta quarta-feira

Boa parte do país segue com tempo seco nesta quarta-feira

Imagem da notícia: Eleições 2026: partidos têm até hoje para lançar candidatos

Eleições 2026: partidos têm até hoje para lançar candidatos

Imagem da notícia: Ataque russo em Kiev deixa um morto e 24 feridos

Ataque russo em Kiev deixa um morto e 24 feridos

Imagem da notícia: LATAM anuncia 8 novas rotas com aeronaves da Embraer

LATAM anuncia 8 novas rotas com aeronaves da Embraer

Imagem da notícia: Boa parte do país segue com tempo seco nesta quarta-feira

Boa parte do país segue com tempo seco nesta quarta-feira

Imagem da notícia: Eleições 2026: partidos têm até hoje para lançar candidatos

Eleições 2026: partidos têm até hoje para lançar candidatos

Imagem da notícia: Ataque russo em Kiev deixa um morto e 24 feridos

Ataque russo em Kiev deixa um morto e 24 feridos

Imagem da notícia: LATAM anuncia 8 novas rotas com aeronaves da Embraer

LATAM anuncia 8 novas rotas com aeronaves da Embraer

Últimas notícias

Governo de SP: 2º dia de greve na CPTM é 'injustificável'

Sindicato cobra garantias formais para preservar empregos; gestão nega demissões e promete medidas judiciais

Catar diz que negociações entre EUA e Irã avançaram

Declarações derrubaram os preços do petróleo, mas Teerã nega que esteja negociando diretamente com Washington

Onda de calor deixa 19 mortos na Coreia do Sul

Cidade no sudeste do país asiático registrou 42,5°C, a maior temperatura desde o início das medições, em 1904

Greve da CPTM: rodízio permanece suspenso nesta quarta-feira

Medida foi adotada para reduzir os impactos da greve nas linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade da CPTM

Milei volta a chamar Lula de 'ladrão' e quer 'Brasil azul'

Presidente argentino fez alusão a uma possível vitória do senador Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de outubro

Caso Sabine: homem pode ter induzido atriz ao suicídio

Rafael Maia Cardoso foi detido após reabertura da investigação sobre a morte de Sabine Boghici, acusada de aplicar golpe milionário contra a própria mãe