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Extrema direita vence presidência do Parlamento na Saxônia

É a primeira vitória em uma região da Alemanha desde o fim da Segunda Guerra Mundial

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André de Sena, com informações da Reuters
Parlamento estadua da Saxônia-Anhalt, em Magdeburgo, na Alemanha | Reprodução/Reuters

Parlamento estadua da Saxônia-Anhalt, em Magdeburgo, na Alemanha | Reprodução/Reuters

O partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou nesta terça-feira (6) a presidência do Parlamento regional do estado da Saxônia-Anhalt, no leste do país. Essa é a primeira vez que um grupo radical de direita governa uma região alemã desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

O cargo de presidente do parlamento passa a ser ocupado por Tobias Rausch, um empresário de 35 anos do ramo imobiliário. Ele obteve apoio de 48 dos 82 deputados que participaram da votação.

O resultado foi uma surpresa positiva para a AfD, já que antes da votação, Rausch possuía o apoio de 44 colegas: 39 da própria AfD e cinco da pequena legenda de esquerda radical BSW, que se uniu ao partido de extrema-direita por conta de seus posicionamentos considerados pró-Rússia. Não se sabe quem foram os outros quatro parlamentares que votaram em Rausch, pois os votos foram secretos.

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Embora a AfD tenha conquistado a presidência do parlamento nas eleições realizadas em 6 de setembro, o partido ficou a três cadeiras de obter sozinho a maioria absoluta necessária para eleger Ulrich Siegmund como governador da Saxônia-Anhalt. Isso significa que a sigla vai precisar fazer negociações para conseguir apoio até a eleição para o Executivo, prevista para dezembro.

Partidos contrários à AfD, como a União Democrata-Cristã (CDU), do primeiro-ministro alemão Friedrich Merz, vêm se recusando a fazer alianças com a sigla de extrema direita, tanto nos estados quanto a nível federal. No entanto, mesmo sendo alvo dessa tática de barreiras parlamentares, a legenda tem crescido.

Em seu discurso de posse, Rausch fez um apelo para que os legisladores trabalhassem juntos, acrescentando que "os dias das barreiras políticas deveriam ser coisa do passado".

Tobias Rausch, político da AfD eleito presidente do parlamento da Saxônia-Anhalt, no leste da Alamanha | Repdorução/Reuters
Tobias Rausch, político da AfD eleito presidente do parlamento da Saxônia-Anhalt, no leste da Alamanha | Repdorução/Reuters

Protesto

Cera de 400 manifestantes se reuniram em frente ao parlamento estadual da Saxônia-Anhalt, na cidade de Magdeburgo, para protestar contra a chegada da AfD ao poder.

"Estamos aqui porque somos contra o extremismo de direita e, acima de tudo, contra o AfD no governo — um partido que não só governa este estado, mas que, se as coisas continuarem neste mesmo caminho, poderá um dia chegar ao Bundestag (Parlamento alemão) e ao governo federal", disse o manifestante Fabio Klinge.

"Bem, para mim, isso significa que a Saxônia-Anhalt é um campo de testes para experimentos, o que eu acho uma pena, porque esta é a minha casa. E eu não acho que a Saxônia-Anhalt deva ser um campo de testes para o extremismo de direita", afirmou Zoria Damer, que também estava presente no protesto.

Manifestantes protestam contra a AfD em Magdeburgo, no estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha | Reprodução/Reuters
Manifestantes protestam contra a AfD em Magdeburgo, no estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha | Reprodução/Reuters

A AfD foi fundada em 2013 e, desde então, vem conquistando apoiadores com um discurso cético em relação à União Europeia e contrária à entrada de imigrantes na Alemanha.

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