Mundo

EUA: Suprema Corte mantém cidadania por nascimento

Decisão impõe derrota ao governo Trump na política de imigração; ordem poderia alterar situação jurídica de 250 mil bebês por ano, estimam especialistas

Avatar de Emanuelle Menezes
Avatar de com informações da Reuters
Emanuelle Menezes, com informações da Reuters
Suprema Corte dos EUA, em Washington | REUTERS/Kevin Mohatt

Suprema Corte dos EUA, em Washington | REUTERS/Kevin Mohatt

A Suprema Corte dos Estados Unidos rejeitou nesta terça-feira (30) a tentativa do presidente Donald Trump de restringir o direito à cidadania por nascimento, mantendo bloqueada a ordem executiva que limitava o benefício a filhos de cidadãos americanos ou de residentes permanentes legais.

A decisão, tomada por 6 votos a 3, representa uma nova derrota para Trump na mais alta Corte do país e preserva um direito garantido pela 14ª Emenda da Constituição dos EUA, que assegura cidadania a praticamente todas as pessoas nascidas em território norte-americano.

Na prática, a regra atingiria filhos de imigrantes em situação irregular e também de estrangeiros com vistos temporários, como turistas, estudantes e trabalhadores.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

Antes do julgamento, especialistas estimavam que a ordem executiva poderia alterar a situação jurídica de cerca de 250 mil bebês nascidos a cada ano nos Estados Unidos.

Além disso, milhões de famílias poderiam ser obrigadas a comprovar o status migratório dos pais para garantir o reconhecimento da cidadania dos filhos.

O que previa a ordem de Trump?

A medida foi assinada por Trump em janeiro de 2025, no primeiro dia de seu novo mandato, como parte do pacote de endurecimento da política migratória.

A ordem determinava que crianças nascidas nos Estados Unidos deixariam de receber automaticamente a cidadania caso nenhum dos pais fosse cidadão americano ou residente permanente – titular do chamado green card.

Ao analisar o caso, os ministros mantiveram a decisão de instâncias inferiores que haviam suspendido a medida por considerá-la incompatível com a Constituição.

O principal argumento dos autores das ações é que a ordem viola a 14ª Emenda, que garante cidadania a todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos e sujeitas à jurisdição do país.

A interpretação também é respaldada por um importante precedente da Suprema Corte, o caso United States v. Wong Kim Ark, de 1898, que reconheceu o direito à cidadania de um filho de imigrantes chineses nascido em território americano.

Esta é a segunda grande derrota do governo Trump na Suprema Corte em 2026. Em fevereiro, os ministros também invalidaram a política de tarifas globais adotada pelo presidente.

Últimas notícias