Conselho de Segurança vai decidir entre Ivonne Baki e outros sete candidatos à vaga de secretário-geral, que ficará vaga com saída de Guterres
A
André de Sena
Diplomata equatoriana Ivonne Baki | Gary Granja/Reuters
A diplomata equatoriana Ivonne Baki, de 75 anos, ingressou na disputa para suceder ao secretário-geral da ONU, António Guterres. Ela foi indicada por Tonga, um pequeno país insular do Oceano Pacífico, que figura como um dos 193 membros das Nações Unidas. A formalização da candidatura ocorreu nesta terça-feira (18).
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Baki trabalhou como embaixadora do Equador na França, no Catar e nos Estados Unidos. A candidata também ocupou o cargo de ministra do Comércio Exterior, Indústria, Pesca e Competitividade de 2003 a 2005, durante o governo do então presidente equatoriano Lucio Gutiérrez.
A diplomata é a segunda equatoriana a entrar na disputa. Ela se junta a Maria Fernanda Espino, de 61 anos, que atuou como presidente da Assembleia Geral da ONU de 2018 a 2019, além de ter comandado o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Defesa do Equador.
Além das duas equatorianas, há outros seis candidatos: Rafael Grossi, da Argentina, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU; a ex-presidente chilena Michelle Bachelet; Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica; Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana; Macky Sall, ex-presidente do Senegal; e Olara Otunnul, ex-subsecretário-geral da ONU, que atuou como representante especial para crianças e conflitos armados.
Processo de escolha
O processo de escolha começou oficialmente em novembro de 2025, quando os líderes do Conselho de Segurança e a Assembleia Geral divulgaram uma carta conjunta solicitando indicações. Qualquer um dos 193 estados-membros tem permissão para indicar um postulante ao cargo.
Após a definição de todos os candidatos, os 15 países que participam do Conselho de Segurança vão realizar votações secretas até chegarem a um consenso. Os membros têm o direito de apoiar, desaconselhar ou não manifestar opinião sobre cada um dos candidatos.
Os cinco integrantes permanentes do grupo - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - podem vetar qualquer um dos concorrentes. Por exemplo, se Washington, Pequim, Londres e Paris apoiarem um candidato, mas Moscou não concordar, terá que ser escolhido um novo nome.
Na sequência, a pessoa indicada pelo Conselho de Segurança precisa ser chancelada pela Assembleia Geral. Essa última etapa tem sido vista como uma mera formalidade. Caso uma das cinco candidatas do sexo feminino seja eleita, será a primeira vez na história que a ONU terá uma mulher como secretária-geral. O mandato começa em 1° de janeiro de 2027 e sua duração é de cinco anos.
Enfraquecimento do Multilateralismo
O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense Vitelio Brustolin acredita que o maior desafio do próximo secretário-geral será "manter a ONU relevante num momento de enfraquecimento do multilateralismo". Em sua avaliação, está em curso uma implosão das instituições multilaterais por conta da postura de países como Estados Unidos, que vêm boicotando a OMC (Organização Mundial do Comércio) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), e da Rússia, que desrespeitou a carta da ONU ao ocupar a Crimeia em 2014.
"Todos os membros permanentes do Conselho de Segurança — a França, a China — violam preceitos da Carta da ONU desde a década de 1950, sendo que a carta é de 1945. É a ONU sendo implodida", analisa.
O especialista ressalta que a principal função das Nações Unidas é a manutenção da paz, além do desenvolvimento econômico, social e dos direitos humanos. "Você não tem como ter desenvolvimento e direitos humanos se os países estão em guerra. Então a ONU, ela não cumpre a sua principal missão, que é a manutenção da paz", explica. "E ao mesmo tempo, existe uma discussão de que não eclode uma Terceira Guerra Mundial não por conta da ONU ou do direito internacional, mas sim por causa do armamento nuclear; que os países têm medo da destruição mútua assegurada das bombas atômicas", completa.
Na avaliação do professor, quem assumir a chefia da ONU terá "a missão de manter a importância dessa instituição num momento em que grandes potências se voltam para o bilateralismo".
Equatoriana entra na disputa por chefia da ONUConselho de Segurança vai decidir entre Ivonne Baki e outros sete candidatos à vaga de secretário-geral, que ficará vaga com saída de GuterresMundo2026-08-19T12:12:21.012ZA diplomata equatoriana Ivonne Baki, de 75 anos, ingressou na disputa para suceder ao secretário-geral da ONU, António Guterres. Ela foi indicada por Tonga, um pequeno país insular do Oceano Pacífico, que figura como um dos 193 membros das Nações Unidas. A formalização da candidatura ocorreu nesta terça-feira (18). Baki trabalhou como embaixadora do Equador na França, no Catar e nos Estados Unidos. A candidata também ocupou o cargo de ministra do Comércio Exterior, Indústria, Pesca e Competitividade de 2003 a 2005, durante o governo do então presidente equatoriano Lucio Gutiérrez. A diplomata é a segunda equatoriana a entrar na disputa. Ela se junta a Maria Fernanda Espino, de 61 anos, que atuou como presidente da Assembleia Geral da ONU de 2018 a 2019, além de ter comandado o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Defesa do Equador. Além das duas equatorianas, há outros seis candidatos: Rafael Grossi, da Argentina, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica da ONU; a ex-presidente chilena Michelle Bachelet; Rebeca Grynspan, ex-vice-presidente da Costa Rica; Carolyn Rodrigues-Birkett, ex-ministra das Relações Exteriores da Guiana; Macky Sall, ex-presidente do Senegal; e Olara Otunnul, ex-subsecretário-geral da ONU, que atuou como representante especial para crianças e conflitos armados. Processo de escolha O processo de escolha começou oficialmente em novembro de 2025, quando os líderes do Conselho de Segurança e a Assembleia Geral divulgaram uma carta conjunta solicitando indicações. Qualquer um dos 193 estados-membros tem permissão para indicar um postulante ao cargo. Após a definição de todos os candidatos, os 15 países que participam do Conselho de Segurança vão realizar votações secretas até chegarem a um consenso. Os membros têm o direito de apoiar, desaconselhar ou não manifestar opinião sobre cada um dos candidatos. Os cinco integrantes permanentes do grupo - Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França - podem vetar qualquer um dos concorrentes. Por exemplo, se Washington, Pequim, Londres e Paris apoiarem um candidato, mas Moscou não concordar, terá que ser escolhido um novo nome. Na sequência, a pessoa indicada pelo Conselho de Segurança precisa ser chancelada pela Assembleia Geral. Essa última etapa tem sido vista como uma mera formalidade. Caso uma das cinco candidatas do sexo feminino seja eleita, será a primeira vez na história que a ONU terá uma mulher como secretária-geral. O mandato começa em 1° de janeiro de 2027 e sua duração é de cinco anos. Enfraquecimento do Multilateralismo O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense Vitelio Brustolin acredita que o maior desafio do próximo secretário-geral será "manter a ONU relevante num momento de enfraquecimento do multilateralismo". Em sua avaliação, está em curso uma implosão das instituições multilaterais por conta da postura de países como Estados Unidos, que vêm boicotando a OMC (Organização Mundial do Comércio) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), e da Rússia, que desrespeitou a carta da ONU ao ocupar a Crimeia em 2014. "Todos os membros permanentes do Conselho de Segurança — a França, a China — violam preceitos da Carta da ONU desde a década de 1950, sendo que a carta é de 1945. É a ONU sendo implodida", analisa. O especialista ressalta que a principal função das Nações Unidas é a manutenção da paz, além do desenvolvimento econômico, social e dos direitos humanos. "Você não tem como ter desenvolvimento e direitos humanos se os países estão em guerra. Então a ONU, ela não cumpre a sua principal missão, que é a manutenção da paz", explica. "E ao mesmo tempo, existe uma discussão de que não eclode uma Terceira Guerra Mundial não por conta da ONU ou do direito internacional, mas sim por causa do armamento nuclear; que os países têm medo da destruição mútua assegurada das bombas atômicas", completa. Na avaliação do professor, quem assumir a chefia da ONU terá "a missão de manter a importância dessa instituição num momento em que grandes potências se voltam para o bilateralismo". São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/equatoriana-entra-na-disputa-por-chefia-da-onu